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POEMA NÃO É VEICULO DE COMUNICAÇÃO PDF Versão para impressão Enviar por E-mail
Escrito por Administrator   
Terça, 03 Julho 2018 21:10

Quanto maior a densidade e diversidade da forma e complexidade da substância poética condujentes a uma expressão não raro obscura,

de teor esfingético alto, mesmo hierogláfica deveras – portantos herméticas, em que o espelho da contemplação se turve e se cinza de lampejos escuros e tramas do trapézios significante se ordenham, é que a sede da obscuridade se avulta e a pirâmides do poema de  geometrias obscuras se craveja. O que seja cristalino se demite no poema absoluto, a poesia do porvir vindo.

 

Extrema dificuldade, esforço inigualável, alimário trabalho são exigidos de leitor absoluto para penetração na trama no urdume do sentido. Sem tal não seria poema absoluto. Porém, inferior.

Nenhum artista, poeta ou outro que aja no ima da arte, ao produzi-la, precisa doar atenção a aspectos a condições de comunicabilidade para o leitor possível (e impossível). Pois, o poema se comunica, comunica algo diferente a cada leitor/. Se for poema. É não, nunca, a igualdade, a mesmice de igual entendimento (meridiano).

Mesmo que a obra para ser aceite necessite atender à demanda de entendimento (ou comunicação emissor/receptor, canal eficaz) ou mesmo facilitação ao requisito (não essencial) de comunicabilidade, isso nada tem a ver com o valor intránseco da obra como realização lírica ou artística.

Se a obra falha na comunicação estrita, da se gloria no aspecto artístico.

I.A. Richards observava com preciso e ajudeza que não se pode louvar ou condenar a obra de arte (o poema realmente artístico e não meramente datado de todas convencionalidade vãs satisfeitas), quer com fundamento em seu aspecto de comunicação estrita quer em sua obra rítmica mecânica estabelecida. Se o poema que lemos se afigura inadequado como veículo de comunicação e assim de pronto a mensagem esperada (o sentido lógico, exato) imprescindível) não estaremos em condições de julgá-la e menos ainda de lhe atribuir valor (grande ou não).

A falência (aparente) da comunicabilidade não é razão jamais para rejeitar um poema (só pelo aspecto extrínseco). Ao contrário, é motivo de lê-lo ainda mais. Com vistas a realçar lhe o valor intrínseco.

O imenso poeta absoluto Murilo Mendes lutou a vida toda, na banca da crítica poética, aqui, em Portugal e na Itália (onde a crítica se estendia à música e artes plásticas), pelo que considerava o máximo valor da poesia, que exigia o enquadramento do poeta no âmbito de uma concepção geral do mundo e das coisas, como condição de trabalhar a poesia, em sem sentido universal.

Toda a vasta obra de Murilo Mendes está eivada de obscuridades e incomunicabilidades (aparentes). Ai, residi sua singularidade, que o coloca entre os 10 maiores poetas brasileiros do século XX.

atualizado em Terça, 03 Julho 2018 21:13
 

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