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NOVOS POETAS IANQUES PDF Versão para impressão Enviar por E-mail
Escrito por Administrator   
Segunda, 06 Agosto 2018 11:53

Mais famoso e divertidos (embora menos “importantes”), a Beat Generation nasceu da licença de alienação, da inexistência de raízes e (mais internamente) do exílio da geração antiga.

A bíblia tradicional do movimento beat é o romance On the Road (1957), de Jack Kerouac, mas você pode entender rapidamente o movimento com uma olhada em Howl (1956), de Allen Ginsberg. Um lamento pela América burguesa e opressora, Howl também celebra o estilo de vida beat, de bebida, drogas, albergues e jazz moderno. Saliente que os valores dos beats em “tornar desagradável” os colocam firmemente na tradição emersoniana americana (embora, talvez, não fosse isso que o sábio psicólogo tivesse em mente) – mesmo mais do que outros escritores modernos.  A homossexualidade flagrante de Ginsberg em particular explicita o que sempre esteve implícito naquela tradição (dos escritores e estilos anteriores). Ginsberg e outros poetas beat, como Gregory Corso, seguiram Whitman em seu estilo relaxado e mesmerizante. Lembre com afeição o encontro fictício de Ginsberg com o grande bardo de Folhas de relva, em A Supermarket in California.

 

Durante os anos sessentas, os beats e black mountains foram admitidos à corrente principal. Isso foi uma espécie de derrota para os primeiros vanguardistas (para quem uma entrée na nova “cultura popular” burguesa não era substituto para a verdadeira marginalia), mas os últimos lucraram com a segurança, escrevendo muitos de seus melhores e mais individuais trabalhos.

O “novo” grupo marginal – produtivo, mas irreconhecível durante os anos cinquentas – tinha Nova York como base e era conhecido, por falta de um rótulo melhor, como os New York Poets. “Poetas críticos de arte” teria sido um título mais correto, embora menos conveniente, desde que eles bebiam muito das teorias dos pintores modernos como Jackson Pollock, Michael Goldberg e Robert Motherwell. O mais imediatamente agradável do grupo é Frank O’Hara, que amava o jazz, os filmes e a vida nas ruas de Nova York, assim como a teoria estética, e cujos grandes poemas (como The Day Lady Died e Ave Maria), embora altamente sofisticados, resultam numa bonomia agradável. O’Hara morreu num acidente de carro, em 1966, e tornou-se um tema favorito para o tipo de conversa “O que X teria se tornado, se ele/ela tivesse sobrevivido?”. O que seu amigo John Ashbery se tornou foi um dos principais poetas da corrente principal desde a guerra. Trabalhando em seu “grande projeto poético de exploração estética” durante os anos sessentas e, finalmente, chegando ao seu apogeu no meio dos anos setentas, com Self-Portrait in a Convex Mirror, Ashberry é hoje aceito como um “sucessor natural de Wallace Stevens”. Embora nem de perto possua a elegância que O’Hara tinha, Ashberry é ainda um poeta excitante e agradável de ser lido.

Como Ashberry, A.R. Ammons já escrevia muitos anos antes de chegar à ribalta. Cientista que, deprimido, começou a escrever poesia, sua formação transparece em sua obra – poesia essencialmente “naturalista” –, transbordando de terminologia científica (palavras que poetas supostamente não deveriam saber, como “cloroplastos”, “entropia”, “paramocoeia”, etc). Os poemas curtos de Ammons são secos e impessoais; ele se deixa avançar um pouco mais em poemas mais longos como Sphere: The Form of a Motion (1974), embora nunca seja exatamente “confessional”. Amy Clampitt, outra descoberta tardia, publicou sua primeira coletânea, The Kingfisher, em 1983, com a idade de sessenta e três anos. Inteligente, alusiva e ousada, ela dá a impressão de ter estado em toda a parte e lido tudo.

 

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