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AOS OLHOS DE TIRÉSIAS PDF Versão para impressão Enviar por E-mail
Escrito por Administrator   
Quinta, 13 Setembro 2018 00:58

Tirésias viu a noites sobre noites

contemplou lumes cansados.

E olhou vísceras douradas ou facínoras.

Tocou as luzes da carne. Emudeceu.

 

Tirésias viu a noite

Nas entranhas da íris.

Sorveu suas seivas silenciosas.

Farejou alfombras, emudeceu.

 

Deuses tumultuosos

ressonaram em seus lábios.

Sibilas bradaram

em seus olhos finitos (e tão infinitos).

 

E aves de pranto corrompido

seu rosto revoltado.

 

A morte peregrinou na face

e bebeu lágrimas

nas campinas do corpo.

Visões de abismo se descerraram

mas a íris não atraiçoou

a nudez dos objetos

nem a palidez dos seres triunfou.

E o rubro adormeceu como coivara.

 

Rudes amarras foram varridas.

Quilhas todas domadas.

 

Eunuco é o tempo de tanta desgraça!

 

II

A barca do silêncio

da boca de Tirésias navegou

para mares mudos

e longos calados

abandonado o fatigado sem viço

pais dos olhos.

 

III

 

Cristalino abismo

ofereceu o gótico

à fome dos homens.

E o sexo das metafísicas foi publicado

nos anais sádicos da vida.

 

IV

 

Tirésias é um lince

e seus olho

punhais azuis acesos de agudos ametistas.

 

V

É a noite

é uma metáfora fera álgebra escusa.

O oblongo símbolo do absurdo.

Luz de treva que o neon cancera.

 

VI

E o abismo

o espelho da cupis da eternidade

(imagem de um tempo que se autodevora)

Que Tirésias contemplou

com o unguento longo

de seus olhos ubíquos e visionários.

 

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