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HERMETISMO VITAL PDF Versão para impressão Enviar por E-mail
Escrito por Administrator   
Quinta, 25 Outubro 2018 19:20

Cláudio Veras

Na fruição da obra poética há um óbice considerável constituído pela atuação de uma força que leva a percepção atual do presumido leitor ao passado,

ou seja, a uma situação de imobilismo (que se confunde com tradição, cuja permanência autoritária afeta o futuro estético).

 

Os modelos não são atualizados em face da força da inércia que paralisa a forma e vulgariza o conteúdo da obra: a estatura diacrônica é pigmenizada pela corrosiva ação sincrônica.

A arte é tida como algo já concluído, estabelecido no passado, e o presente de toda arte é supérfluo. Qualquer inovação equivale a desvalorizar o passado, profaná-lo, e atentar contra o que já foi alcançado – e está consolidado em arte. Para os arraigados cultores do passadismo poético, a arte do presente é estranha. Algo eteízada. Pararreal.

Outros critério dualista (quase mesmo maniqueísta) é o que empluma o prédio clareza versus obscuridade (que são conceitos relativos, pois só se é claro ou obscuro, para alguém, para um público determinado por suas competências literárias) e em si, mas percepções, fatos psicológicos,  deduções. Não são ações, são efeitos.

A obscuridade que chancela a arte moderna (poesia, pintura, música, cinema e o romance experimental – musical, Joyce, Alberto Lins Caldas, Guimarães Rosa, Osman Lins), por largo tempo, não dizia respeito ao mérito da obra mas concernia ao julgamento negativo do público, viciado em consumo fácil, e da critica dita acadêmica, apta a consenso raquítico.

Os poetas modernos não mais se comunicam com a maior parte da classe geral dos fazedores de verso.

A obscuridade resulta de uma comunicação interrompida. Ou inapropriada. Com o passado. Mas não é algo ainda suspenso no passado.

Essa abordagem tem como alvo o trabalho poético de Vital Corrêa de Araújo.

A V.C.A, como poeta, aplicar-se-iam facilmente as epígrafes.

“Há certa glória eu não ser (bem) compreendido”, dispara Baudelaire.

Fazer poesia, para G. Benn, equivale a elevar as coisas à linguagem do incompreensível.

“Poeta ambíguo entre coisas duplamente agudas, aspeleja isto ou elabora entre tudo aquilo que luta pelo presente com a completa perspectiva do futuro”. S. J. Perse.

“Ninguém escreveria versos se o problema da poesia fosse fazer-se entender, fosse ser compreensiva amiga”, diz Montale

Porque na poesia moderna há algo que força a linguagem poética num sentido que se distancia do âmbito da comunicação social normal, a pecha hermética é aplicada (e somente pelos ingênuos leitores).

 

 

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