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Escrito por Administrator   
Terça, 27 Novembro 2018 23:07

Ouça o sal, conheça-se

e saiba que a sombra é vil

a projetar vales no vão da vida

rente à solidão.

 

Ao esmo da palavra condene o poema.

 

Foi poeta que pintou o azul do céu.

 

Para boa compreensão do remorso

é bom que saia da zona de conforto do bem.

 

Conserte os desacertos do mundo

pois o fiat era mudo.

 

Alimente a sombra ôntica

com rações claras de treva icônica

pois ela sobreviverá a você.

O melhor será a reitora da falência da vida a agir.

 

Ponha pus no inventário do panarício

use puas não ataduras nuas.

 

 

O que há, hein?

Usinas cegas, quadrilhas soltas

subúrbios insalubres enjaulados na violência

veias imprestáveis

velocidades punidas

marginais sem cabresto

liberdade desabrida

e muitas casas de reaver

penhores estripados?

 

A felicidade relincha

 

A melancolia do crepúsculo

rompe a pele da alma.

 

A civilização brasileira

era apenas um sonho de Darcy

que virou pesadelo hoje

vinte anos depois que o querido

e utópico professor foi-se.

 

Ser fevereiro cansa.

porque obriga solidão a fazer sexo

com as mãos.

 

Ah, triste era de heróis vis.

À sedução dos biombos vermelhos

 

Entregue-se à melancolia.

Ela alimenta.

 

Gosto da relva do céu distinguia

e estrelas de musgo

fruto dos músculos de Deus.

 

Calidamente ela falou (ao criado-mudo atento)

das rosas tristes de pistilos enfermos

do suicídio das pétalas uma a uma

dos lírios com as gargantas cortadas

pelo selvagem jardineiro instituído e estático

e do sofrimento das lâmpadas

sob o caos da luz do mundo.

À morte dos doces do mundo todo

ela dedicou o primeiro poema.

 

Mas nunca abandonou sua mente sôfrega

a doença das estações, após o dom

da morte da primavera ontem.

 

E o verão que se escora na aridez

humana, o que será dele?

 

No inverno seguinte choremos muito

a recordar o féretro da primavera branco.

 

Luz da voz intoxica o verso.

 

Os prazeres dos pesares.

 

A sensibilidade real dos pêsames.

 

Se traduz o verso, não o poema.

 

 

O poema, não a magia das palavras.

 

Bênção d’água, cura líquida.

 

Represa de nervura e abóboras.

 

Batalhas deliquescendo

 

Guerras umbilicais.

 

Qual o sentido da fantasia?

 

O sentido da fantasia é azul.

 

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