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PERSE PERSEGUE CIORAN E CEMITÉRIOS PDF Versão para impressão Enviar por E-mail
Escrito por Administrator   
Terça, 04 Dezembro 2018 00:24

A existência só possui legitimidade autêntica ou

valor se formos capazes de perceber, mesmo

nas dimensões do ínfimo, a presença do

insubstituível.

 

Quem não o fizer ou conseguí-lo reduzirá

o espetáculo do devir a uma sucessão

de equivalências e de simulacros, a um

jogo de aparências sobre um fundo de

identidade.

 

Uma só frase vasta e ininterrupta

para sempre ininteligível.

Cioran citando Perse.

 

Se se liga a uma poesia um sentido unívoco

ela está irremediavelmente condenada.

 

Desprovida desse halo de indeterminação (e

Ambiguidade) que encanta e multiplica sentidos

e sensações, enaltece e aperfeiçoa críticos e

 

reduz zoilos a zero, a obra desaba nas misérias

da clareza, e, deixando de desconectar, se

expõe à desonra reservada às

evidências. Se se pretenda poupar humi-

lhações hermenêuticas deploráveis ou não

de ser compreendida, lhe cabe, dosando

o irrecusável e o obscuro, cultivando o

equívoco, suscitar interpretações diver-

gentes e entusiasmos perplexos, índices de

vitalidade, expressões do sublime, garantia

de duração.

 

Quando Perse evoca a morte, será para

denunciar sua ênfase intensa e não

para explorar sua fria magia.

 

Ele (Perse) cultiva a ruptura original do verbo

e o desvio criador de sentidos que

conduzem poemas para fora da

unidade do todo literário tradicional.

A bênção poética consiste em sua

singularidade e na ruptura ébria

que abre o veio da transgressão criadora.

 

 

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