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O POETA EXPULSO DA REPÚBLICA PDF Versão para impressão Enviar por E-mail
Escrito por Administrator   
Terça, 11 Dezembro 2018 21:34

O inflexível (e divo) Platão, republicano doente, fanático da lei

e vertiginoso arauto da realidade política

ático príncipe das leis éticas e rígidas (e áulicas)

porque universais reflexos do absoluto, aponta

obstinado braço firmemente a ermo, afora

(indicador dedo em riste como punhal roliço)

intransigente, catártico, ditatorial aponta

porta afora de sua sacra República soleira

expulsa poeta

indicando-lhe o vazio e abstração

limbo branco e exílio dântico pleno

como morada do ser da palavra

ostra de seus olhos filosóficos

fuzilando indignação (concha e lira de luto)

e justa aspereza, além

da certeza de que seu gesto salvará o Planeta.

(A todos abrindo porta estreita da Filosofia).

 

Não porque mordeu maçã qualquer

mas reimaginou a Criação

usou verbo como operário ao andaime

(para suplantar Babel atingir o céu).

 

Repetindo Deus Platão expulsou poeta

do paraíso da República

suas Leis com fome de porvir

devoraram e vestiram poeta nu.

Tua voz vem da sombra

de uma sombra de uma sombra de uma sombra

tu também és só uma sombra

não podes ser um nome.

 

Tu que vens nu dormes sob este umbral

és sombra do nome apenas sepultá-lo

na pedra (tua sina).

Não és digno da Ideia.

 

Tu, que simulacras sem cessar

inventas como louco pleno de delírio longo

sem pai desprezas sentidos da realidade

(criando dela imagem falsa, distorções fundas)

maquinando como sátrapa novas palavras

de ver e ouvir, de sentidos quase impossíveis

ou desastrados impregnados de perturbação

desregrados, ressentidos, contrasseres

escavando alienado caves de verbos

possuído de musas excessivas

demorado no imaginário (refúgio incivil) esperando

expressões de tempo ainda por vir

de será sem peias ou senso, estás fora

vate delirante (e teu ímpio estilete insensato)

talhando fantasias inconvenientes à lei

subvertendo normas que acorrentam

o presente a nós (citadinos perfeitos do passado).

 

Fazes mimetismo inverso (em verso, o que é pior)

és avesso ao modo comum das coisas humanas

e devidas (que tornas ébrias e devassas)

crias impossibilidades tenazes

tão patentes que parecem veias

fruto de entusiasmo ímpio e danoso

ao estabelecimento absoluto.

Ignoras expectativas do auditório.

Distorces verdades da palavra.

Iludes sábios com teu verbo sem nome.

Invertes a figura das coisas (com verbais sofismas)

o incomum senso inauguras

aturdes com tua palavra realidades

és impróprio, assimétrico, ambíguo, impassível

não mereces guarita da norma e dos homens

albergue das instâncias públicas que devassas

és contra maioria que te teme e ignora.

 

Estás fora da pura e definitiva República

junta-te a uns dantes quaisquer

após tempo antanho

busca poeta desedenizado (dedetizado)

tugúrio do mundo para tua obsessão moderna.

 

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