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PALAVRAS PERDIDAS PDF Versão para impressão Enviar por E-mail
Escrito por Administrator   
Segunda, 17 Dezembro 2018 13:22

Estas palavras estavam anotadas em minha alma domada

com letras redondas e estéreis

(que a eteriedade das coisas

propicia ou revoga)

 

o ocaso da necessidade virá amanhã

e fará tudo não ser nada

o tempo apodrecerá as coisas

e não serão mais últimas

(íntimas ou distantes revogadas)

só um ângulo da verdade permanecerá vígil e fátuo

como troféu do futuro como uma amêndoa

e objetos como fogo, orvalho, velocidade, usura

serão desvalidos (descontinuados ou não)

maçãs não serão dignas de

newtons postergados ou adões famintos

do sexo de evas mordazes.

As judicaturas e os impropérios serão paralisados.

Quando, por que, agora, sempre, ainda, nunca

ficarão uma temporada enquanto

nenhum se fará presente no futuro.

(Próximo da lenta escatologia).

(às ideias substantivas e adjetivas

de Della Volpe

e às ideias masculinas e femininas do mundo

(estas, boas ideias).

 

A necessidade do acaso é primária

e exigente

não deixando passar nada

sem o selo do acabamento (imperfeito)

a senha do fim é tenho medo, menos luz.

 

Rumor de porto sabe a sal

o silêncio da água é gutural

 

podar o mudo silêncio

das coisas banidas do langor

de estarem vivas é ofício de Deus

 

desbanalizar um pouco a morte

e banir o rigorismo excessivo

e tantos tiros

ou preces é justo.

Prefiro veredas escuras a luzes sonâmbulas

réstias de foice a claridades de navalha

sombras que embosquem

a iluminações gentis

que faz tudo ficar à vista

inclusive a dor.

 

Ser cadáver é o destino. Deus nos criou

como homens

com sopro, sina, sucesso ou orgulho

apenas para que morrêssemos

tornando-nos a nós mesmos nus

cadáveres.

Ser cadáver, eis o Fiat final.

 

E fazer poemas. Embora nesse ofício haja uma armadilha.

no Juízo Final, o Pai lê de cada sombra um poema.

Se não gostar, fica-se sombra. E o demo leva.

Se Deus gostar manda à sombra a luz

e V. adentra o vestuário de anjos

(umbral molhado mas branco do paraíso).

 

A veia estreita (capaz de trombos

e outras desditas) é avermelhada

e por ela desfilam figuras ásperas

e amáveis outras

tudo passa por uma alameda emboscada de sombras

em que a alma lê grito de pássaros

e ruídos de hecatombe recente

houve tempo em que gritos de pedra

estouravam tímpanos (quebrando o átrio do som).

 

Olhar que é grito também era comum.

E abelhas.

 

Olhar que é orvalho de lua

e relva de vidro

florescendo da selva do espírito

era algo supernormal

na flora de ser.

 

E jardins náufragos de geometria surda.

 

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