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TEXTO SOB BOMBA PDF Versão para impressão Enviar por E-mail
Escrito por Administrator   
Terça, 27 Agosto 2013 18:29

Vital Correa de Araújo

Aquele texto sânscrito, antiqüíssimo, cravou-se em minha curiosidade cravejada de pérolas áridas e do brilho de mistérios percorrida, e comecei a faina hermenêutica, instrumentado de bússolas e coivaras, cinzéis filológicos e buris hebraicos, e tratados de exegeses lingüísticas, além de uma ruma de dicionários, compêndios de cabalas, contos aramaicos, que me amealhavam o rosto empilhado na mesa distante.

 

 

Por anos consultei alfarrábios, tratados arruinados, papéis colados. Parei. Parei para olhar o crepúsculo. Suas cores intrincadas. Adormeci, e acordei em Babilônia sob bombas. Mergulhei num poço de tempo aberto no chão sagrado pelos bombardeios ocidentais. Busquei abrigo no sono novo. Acordei no Brasil.

Era um museu imenso, imerso em esmaltes heráldicos e sombras de ídolos sobreviventes arruinados olhando um texto em sânscrito antigo, impassível.

A curiosidade retorna e estagna a vida.

(O coração tão arruinado quanto a época: 2004).

 

A POESIA MODERNA

Vital Correa de Araújo

A poesia, o modo de fazê-la, varia em cada época.

A poesia moderna (a que apareceu no fim do século 19) e segue representada pela evolução – não mais revolução, como fora – por várias fases, entre as quais a Geração 45, o concretismo, a poesia visual, a Geração 60 (ou 65, em Pernambuco) e especialmente a de 90 até a contemporaneidade, tem marca direta na minha poética.

A poesia moderna encontrou sua forma de expressão no verso livre (e poderia ter sido diferente), o que torna muito mais complexo o problema da forma, questão que tem despertado polêmicas e adicionado desencontros de opinião e de doutrina, bem como dificultado a expressão da própria época em que vivemos. A poesia para afirmar-se no Brasil precisa desnudar e decifrar, expor, abrir sua verdadeira expressão, moderna, atual, da hora presente.

É fundamental e urgente elegermos a forma moderna para expressão da poesia. Sair da potência para o ato.

Um poema é a afirmação (ou a negação, tanto faz) de algo inesperado, súbito, insólito, um flash, um relâmpago mental (como o hai-cai).

É o silêncio sublimado pela palavra, palavra oferecida em holocausto no altar do sentido.

A lógica poética moderna é ambígua, especial, analógica, ou mesmo é a lógica do inconsciente, a mais real e primária.

O poeta não é um sonhador (linguagem romântica, longe disso), não um decifrador (Freud), mas um fazedor de sonhos (Borges).

Emoção e razão não contam, hoje, estão à margem do grande rio da poesia.

O sentimento não tem sentido em poesia moderna. Ou, a poesia é coisa séria demais para se deixar levar por sentimentos.

E a questão do diferencial com a prosa? Se você tem algo a dizer, a explicar, a mandar, remeter (como uma mensagem), se você quer passar uma lição, expresse-se não em poesia, mas em prosa, o que é mais rápido, direto, eficiente, com mais produtividade e melhor resultado.

 

 

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