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PoesiAbsoluta
POR QUÊ? SUAMOS AO COMER E FARTOS APELAMOS PRÁ SOBREMESAS DOCES. E QUANTO MAIS COMEMOS MUITO E DEPRESSA MAIS HIPOGLICEMIAMOS? PDF Versão para impressão Enviar por E-mail
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O fator insulina, hormônio vital secreto pelo pâncreas, afeta o organismo, sendo, tanto seu excesso quanto sua falta (estado diabético), causa de graves prejuízos à saúde.

Glicose, gasolina do corpo, com lactose, açúcar do leite e frutose, das frutas, é carboidrato simples, de uma só molécula (monossacarídeo).

 

 
POESIA: INÚTIL E NECESSÁRIA PDF Versão para impressão Enviar por E-mail
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Vital Corrêa de Araújo

Poesia inútil e necessária. Necessária, por sua inutilidade prática, imediata, num mundo – ou estádio da vida humana – em que o valor mercantil é fundante e o estético, quase nulo (ou subordinado, a reboque da política do sentimento, do humor dos poderosos, da banalidade do imoral, de tudo que esteja à flor da pele, não à flor da alma).

 

 
POEMA E POESIA PDF Versão para impressão Enviar por E-mail
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Há uma certa (ou incerta) confusão entre poema e poesia.

Desde o romantismo e do aparecimento do poema em prosa, modalidade poética (legítima) que adquiriu consistência e qualidade, em especial, no simbolismo (Rimbaud, Baudelaire, Mallarmé, Valéry - entre nós Cruz e Souza), fez-se necessário diferenciar poema de poesia.

 

 
POEMA ABSOLUTO (2) PDF Versão para impressão Enviar por E-mail
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O poema absoluto é uma cadeia de significantes que inecessita de significados. Que indesigna (não referencia) e ressignifica, isto é, nada denota. É mais ícone que índice. Corrente descontínua e progressiva, cujos elos são signos. Não interessa ou vale (nada) saber o que o signo (na cadeia dos significantes) significa. Porém, saber a que outro signo na cadeia viva poética ele remete ou que outros signos, ou elos dessa corrente, a ele se acrescentam, formando o poema uma rede sem começo nem fim.

Uma cadeia inacabada de signos sem significados meramente dicionários ou comuns, ordinários, vividos no cotidiano prosaico, é o poema absoluto.

 
PANORAMA DO MERCADO LIVREIRO, DA PRODUÇÃO DE NOVOS SUPORTES E DAS QUESTÕES JURÍDICAS NA ERA DIGITAL PDF Versão para impressão Enviar por E-mail
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Pretendemos fazer uma abordagem retrospectiva dos suportes de escrituras, desde o início da história - para alcançar o livro impresso, o livro objeto físico, de hoje, e partir para uma prospecção debruçada sobre o livro virtual.

Desde que o ser humano, movido pela necessidade de registrar operações comerciais e documentar compromissos e obrigações, criou as principais escritas, como a cuneiforme babilônica, depois apropriadas e simplificadas pelos persas, impôs-se o problema de encontrar um suporte adequado para a escrita. Como se sabe, as palavras voam - verba volant - e nenhum banqueiro primitivo ou comerciante mesopotâmico confiaria palavras ao vento, principalmente se elas expressassem créditos, direitos, obrigações ou rúpias, dinares, sestércios, quilos de sal ou magotes de bois, os dólares da antiguidade.

 
O QUE É ALMA? PDF Versão para impressão Enviar por E-mail
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Cláudio Veras

Matéria é energia condensada

 

Duplicata ou réplica do corpo físico (duplo ou

KA egípcio), corpo invisível ou corpo

psíquico (oposto ao físico e complementar, e

como campo invisível capaz de aparições entre

corpos físicos, no império da matéria.

 

 
NOTAS INEXPLICATIVAS DE POESIA PDF Versão para impressão Enviar por E-mail
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Não é que esta poesia tenda à abstração gratuita, descure da palavra, e da figura, que representa, há milênios. É que esta poesia, além de intensificar, imprimindo-lhe alta voltagem metafórica, no sentido poundiano, privilegia a imagem, e, se desfigura algo, é o discursivo, a peste do prosaico instilado criminosamente na poesia, por mercenários que se dizem poetas.

 

 
MURILO MENDES: POETA ABSOLUTO PDF Versão para impressão Enviar por E-mail
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De João Cabral de Melo Neto sobre Murilo Mendes: “Sua poesia me foi sempre mestra, pela plasticidade e novidade da imagem – sobretudo, foi ela (a poesia de Murilo Mendes) que me ensinou a dar procedência à imagem sobre a mensagem (ou em prejuízo ou sacrifício, às expensas da mensagem); ao plástico sobre o discursivo (ao significante em detrimento do significado)”. Após tal confissão sincera cabralina, chamo à colação alguns perfeitos e absolutos versos murilianomendeses:

 

 
MERCOSUL DA LITERATURA PDF Versão para impressão Enviar por E-mail
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A versão 2007 da Festa Literária Internacional de Porto de Galinhas (21/09 a 30/09) ganha densidade e amplitude, amplia seu espectro e ressonância, em termos de qualidade e quantidade de intelectuais, escritores envolvidos, abrangência que o faz ingressar no calendário dos máximos eventos voltados à literatura, a exemplo de Passo Fundo e Flip-Parati, o que automaticamente coloca Pernambuco e o Nordeste no circuito dos grandes festivais literários da América.

 

 
LEITURA DE POESIA PDF Versão para impressão Enviar por E-mail
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O leitor retém o sentido, dá-lhe roupagem nova, adequada até, orna-o, acerta. Segundo Barthes, citando Admmauro Gommes, o leitor não descodifica o poema, mas o sobrecodifica. Não decifra, porém o recifra. O leitor real cria, adensa (possui ou se apossa do sentido, forja-o), completa, inventa o sentido (ou os sentidos) do poema. Imerge no âmbito largo e fundo da leitura pessoal – tentando se afastar ao máximo do autor acasional (ou ocasional), de alguém de quem ele não precisa saber o nome vital, e sai – dessa imersão textual, entre a terceira e quarta margem do texto, com os sentidos que lhes doa a salvo (e enxutos).

 

 
POESIA COISA: NÃO SENTIMENTO PDF Versão para impressão Enviar por E-mail
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A poesia coisifica e humaniza. Liberta. É a potência da vontade da palavra em liberdade. Rilke, Sartre, Jakobson têm a poesia como coisa. E não mensagem. Mero papel de contrato ou recado, tipo bilhete romântico ou aplauso. A ela só interessa o lado sensível, palpável do signo linguístico: o significante. Com eles se faz (cria) poesia (criadora). A poesia não é meio nem mensagem. É fim. Em si mesma. No poema. Que é ser da linguagem.

 

 
POEMA ABSOLUTO PDF Versão para impressão Enviar por E-mail
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VCA

Para a poesia absoluta é vital ao poeta livrar-se do âmbito e das grades (recinto fechado, fronteira intransponível, prisão, censura, óbice, vedação, domínio) da consciência objetiva. Inibir a consciência objetiva, o âmbito cerebral da mente racional ou científica, para permitir aflorar a subjetividade pura, livre de vendas e mordaças, que aprisionem o poema em medidas exatas, prévias, a cargo ou crivo de trenas e ábacos ou amarradinhos (ou arrumadinhos) de rima. Dê-se ao ID, a seus braços fundos e enérgicos, entregue-se ao poema absoluto.

 
PODE? PDF Versão para impressão Enviar por E-mail
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Formar frases (construir poemas) gramaticalmente corretos, segundo os sagrados e bem compendiados – legalmente estabelecido, princípios, normas, regras e condições da gramática-mãe (é ser politicamente correto com a língua) é, para o cidadão, indivíduo, pessoa normal (não o sou o poeta fou), a condição prévia, fixa, comum da vida em sociedade (prosaica), da plena e vital submissão às leis sociais sérias. Ninguém pode ignorar, receber, agravar, violar a gramaticalidade, o princípio gramatical da vida social: isso seria crime contra a pátria da língua. A não ser poeta (se for poeta poeta).

 

 
O QUE É POEMA? PDF Versão para impressão Enviar por E-mail
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O poema é uma valsa

de sílabas descalças

condessas caretas

êmbolos de palavras

em ritmo verbal de salsa

pela cola sintática amalgamada

sob graças da gramática

que dança na página da alma?

 

Palco do poema luada

repouso e abismo cesura

pedra de artifício rima?

 

Metáfora seu magnificat

poema avança linha a linha

até a náusea.

 

Com exércitos de tropos

e esquadros compassados

ao bélico das palavras

na página instauram cenário

da batalha contra o sentido

bárbaro (atro prélio contra o poema certo)

atropelando símbolos e múltiplos

até que o detenha

precipício do hemistíquio

laurel e triunfo do espírito

contra avanço prosaico

em todas as fronteiras do mundo

e nos arredores da estrofe.

TEXTO DE ROUXINÓIS

 

 

Texto de pássaro e quartzo, mundo

de comovente mármore

árvore de sono e vigília, ramos

de nomes canoros e ouro alelúiuco

céu de tons áureos e pétreos caminhos

rima de cores berrantes, sonorosos ribeiros

trombetas de bocas inconsoláveis

com vômitos de anjos ocupadas

e linfas geométricas serpenteando

entre músicas cristalinas e algas de solfejo

urna de arco-íris, penca de bem-te-vis

alaranjados de cujos canoros esôfagos brotam

flores irredimíveis, contraltos de prata

texto lunar, hiperbóreo, clavicular, ibero

texto de mares alevantados e minuciosos

cores da lepra em profusão doente

nas carnes do meio-dia, timbres tumulares

adentrando lápides

iluminando epitáfios

 

amanhecendo nas estribeiras cinzentas do riacho

cadavérico de teus olhos inamistosos

cegando a paisagem eufórica do poema

rimas de nuvens dos céus de setembro

nimbos de abelhas, relâmpagos de ferrão e pólem

texto de elos longos, cânticos de cidreira

partituras de sal, celas de  candeia, sonatas pétreas

lumes de baunilha, gumes de ameixa

das solenes ameias arqueiros imperecíveis

textos de alies invicto, ambrosias

dos lábios de deuses derramadas

texto de cortesã encastelada em nobres falos

alevantados menires cárneos

odor de donzelas amadeirado de cio

cisternas de gozo iluminado púbis

moçoilas de húmus cativante e vivos e róseos

dos prélios da libido vencedoras amantes

texto de hímens delirantes e hinos viris

sons volumosos do gozo, trompetes de gemidos

lascívia estampada nos acordes inefáveis dos trombones

deliciosos da carne

 

 

 

texto de cadelas cedulares e células de volúpia

soberba multiplicando cores do orgasmo

árabe texto perdido num ás do oásis

de teus olhos tão benditos

beleza deserta porque impossível ornada

por uma coroa de perdizes arenosas

num sábado beduíno escravocrata

texto que desliza ao mover dos punhais

dos seus sorrisos alumiados de gumes

dos cantos movediços de tua boca o infinito

desnudando-se como amêndoa de precipício

desgrudada de teu cio infinito

 

texto de pântanos e bafios, miasma sombrio

e celestiais sílabas escandidas

dos nomes avulsos de Deus

texto cruel de nômade abril

escrito na água do delírio

que desce do sexo de cascata da mulher

em coito com a eternidade dos ungüentos macios

e óleos voluptuosos que manam de fêmeas fontes

texto estro eslavo e macio

porque lascivo e nunca senil

 

 

texto de entulho de prédio, barco

casa, avenida, criança e esperança

movido a tsunami e crocodilo

texto de armas automáticas

da mão de mercenários líbios

gemido desesperança do fundo da alma

humana agonizando como barata

num banho de DDT, texto

ametista brilhando no espírito da safira

texto de rouxinóis de Vertentes

e gaivotas do Atlântico.

 

 

 

Poema escrito no pano verde da sala

de jogos de cartas do navio Bleu de France

navegando no Atlântico, às 3 horas da manhã

da sexta 11 de março de 2011.

RESTOS DO TEXTO DE ROUXINÓIS

(Arranjados em partituras de palavras

no convés do Bleu de France

entre a piscina e as jacúzis

após desjejum do dia 11/03).

 

 

 

Textos preliminares à morte dos círculos azuis

de quilate latino e ouro visionário.

Deles guardo como relíquia líquida.

verso ametista do fundo da alma (marítima)

 

 

 

Texto de milho e híbridas sílabas

de ébrios colibris vírgula rouxinóis

texto de cédulas latinas e cadelas lusíadas

de colinas escurecidas e sibilas recifenses

texto de coivara, trama de insetos viris e aviltantes

testículos de estrelas vespertinas e teatrais

pocilga de pérolas exatas

cálida onda de sono e entulho latino.

 

texto rosa de efêmera eternidade

sono de rima, necrópole de cipreste

texto da comarca do sonho mota de Mauro

e ventura da carne

texto da nômade água do mar

e espumas venusianas

texto náufrago eclesiástico

texto persa, brâmane, cipango

texto cubano à Lezama

helênico à Seferis

marítimo à Perse

texto vital (e atlântico);

A FRANCISCO BRENNAD

PRÓDOMO

A experiência da poesia é o modo dela infletir-se

sobre nós e abonar a alma exprimindo

suas máculas ardentes e profusas submersas

no tempo cósmico – e cíclico que tramou Borges

horas prenhes da duração do evento ou parto

que nos deu Sócrates e Absalão

Pound, Eliot, Cabral, Murilo e Drummond

ou seja, servos da produção ou parturição

do poema no sentido da maiêutica crítica.

 

A melhor forma de definir ou conceituar

– expressar – isso (ou aquilo), ou maneira

Intensiva e absoluta de fazê-lo

é por meio ou pela veia aorta da poesia (porta)

– linfa ou fluxo, vaso ou vinho – que é

a linguagem (ou instância desta) impregnada

(dir-se-ia fosse carro de corrida: envenenada)

com carga máxima de voltagem  expressiva força polindica

ou curva de maior conotação possível.

 

 

Dê a palavra a exata – imprescindível

ração de ambigüidade, indetermine

com (des)propósitos poéticos o sentido

exija suor do leitor a enfrentar intrincado

lodaçal dela (palavra) atolada no poema: e louve-se.

(a si mesmo pela espessura doce de seu canto).

 

 

CONCEPÇÃO

Que inóspito hóspede sente-se (e sinta?)

à mesa deposta, mastigue bisquis

acepipes estupendos devore

(mandíbula grata lambendo-se)

louçanias cruas ouça hinos convulsos

carnívoros sais consuma

em pratos de cerâmica felina

e entorne acres (trâmites) de loucura,

cálices fale com o falo da palavra

bordas de apinhadas vertigens sorva

crateras de óleos do cio morda

beba bibelôs, brocados, ornamentos

deguste compêndios esquizofrênicos

copule com manequins semimecânicos

sirva-se de grifos, sinos mônades, gônadas, harpias

clitóris, ciclopes, agaves colha

gatos egípcios do chão rastejante e místico

pássaros vítreos, cânforas nuas manipule

considere estrelas bordadas do céu

quando após banquete adira ao alpendre

macia varanda de pássaros ancorados na tarde

inale relâmpagos, ouça gaivotas, toque

tintas do labirinto, cores do delírio.

 

 

ACONSELHO AOS POETAS

Nunca dizer mesmas coisas três vezes

sobre a mesma coisa ou com

mesmíssimas palavras (indispensáveis)

- gastas do uso abusivo, banalizadas

pelo blablablabla irreparável

pelo irreparável repertório da comunidade

dos poetas emocionados (em beleleu cônico, vácuo vocal)

com a beleza literal (não profunda)

do próprio umbigo ou brilho (infundado)

dos olhos ambíguos

nem expor palavra (tão bem cavada)

à insanidade do sentido

obrigatório, presumível

reiteradamente reincidente

mas por o ser em suprema conquista

posição cúbica, bíblica

(a pacificação do ente como meta mórbida, não!)

dar-lhe esteios, objetivos cavos

alicerces ínvios (de uivos) e sonhos vis

das vísceras vãs dos arúspires

extrair vaticínios gentis.

 

 
O POETA E A CONCEPÇÃO DO MUNDO PDF Versão para impressão Enviar por E-mail
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Cláudio Veras (Heidelberg)

Combato, de modo renhido e extremo, a ilusão de representatividade clássica, da representação do homem, da sociedade, da vida, do ser via poética. Filósofo (ou sociólogo, isto é, a filosofia, a sociologia, a psicologia, a antropologia e não o poeta devem tratar da questão de apresentação da realidade humana (ou não). Da realidade, em termos de literatura, a prosa trata. Por que então duplicar essa tratativa, com a poesia juntando suas forças heterogêneas à prosa para explicar o mundo, desvendar o homem, expor as coisas que constituem ou movem o real. E isso com a necessária embora insuficiente racionalidade. Ou quase.

 
NOVOS PARADIGMAS DA POESIA PDF Versão para impressão Enviar por E-mail
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MÚSICA E POESIA

 

Por mas que tentamos, filósofo ou amadores da metafisica, pessoas cientes de que sua consciência excele, e são potentes à vitória (quase orgásmica) de pensamento sobre si mesmo, é inviável decifrar a existência.

 

 
MODO DE VER DA PALAVRA POÉTICA PDF Versão para impressão Enviar por E-mail
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A diferença do modo ocidental de vida da palavra-sempre preparada para amoedar o significado, apropriando-se de sua possível mais valia de sentido e explorando-lhe as usuras como forma de vencer na vida do poema (alimentado pelos lucros imediatos da compreensão), o modo oriental de veia da palavra é tanto mais relaxado quanto mais concentrado.

 

Não o move (o modo oriental de ser da palavra) fins meramente gramaticais, objetivos verbais bursáteis, cálculos de ganhos (ou perdas) específicos de significado, estratégias sintáticas escusas e mapeamentos semânticos precisos em que razão e objetividade mesmo disfarçadas lideram a guerra de expressões. A não equivocidade ou a absoluta univocidade é a regra, o fim (comercial) da poesia ocidental. Sensibilidade e êxtase irracional são renegados do poema, como sentimento à flor da pele do espírito.

 

Condensar com profundidade, aprofundar interiormente, espessar o sentido das palavras, adensando-o até o limiar da incompreensão absoluta são condições vitais do modo oriental de vida do verbo, que exigem para tal desiderato paciente concentração, condensado uso da palavra.

 

O desafio da poética é comprimir o maior número de significados numa única palavra. Ou seja, em raro (ou essencial vocábulo que involucre o mundo) significante alastrar sentidos. E aprofundar o sentimento do verbo, isto é, a qualidade do sentimento. E nunca explodir de emoções (vagabundas ou não), expandindo (ou tornada panda) a massa sensível com vistas à obtenção de vulgares lágrimas, falsas ascetas, catarses banais num probo (e inqualificado) qualquer leitor.

 

Quando se esgota a capacidade de condensação verbal (e o significado banhe-se de palavreado), abre-se a porteira da frágil poesia, espoucam poemas sem viço, multiplica-se o besteirol que rola na poesia brasileira (coitada) há incessantes 40 anos. É o inexpressivo, o pessoal (íntimo que só interessa ao próprio poético, ao eu romântico ridículo do poetante descabido, em vexame); é o já dito ou querido expresso (de modo explícito demais – para não dizer verboso, como só o ocidente é capaz), no âmbito do leque, dentro do espectro das longas incapacidades que visitam o poeta (poeta?) hoje.

 

Quando o poema deva ter força ou potencial de mover céu e terra, deleitar anjos e demônios, arrancar visões insuspeitadas, e no leitor gerar voragem e perplexidade, é quando o poema é.

 

As vitais destilações e vária purificação (filtros inefáveis usados para tal fim) de que resulta a poética oriental, produtos como tankas e haicais, bombas de efeito retardado da expressão (mas ativadas já em poetas como João Marques de Garanhuns e Rogério Generoso de Casa Amarela e Sílvio Hansen do Centro Cultural Vital Corrêa de Araújo); vasos significantes como rubai e gazel (micropoema persa e árabe), cofres de significados que quando abertos (pelo leitor que tenha chave ou clavícula adequadas) exibem raridades verbais e gemas de expressão ainda insuspeitadas, poemas maiores em miniatura. De veloz brevidade.

 

Estas considerações apenas fazem aflorar veio que leve ao filão poético que o ocidente há de explorar, escavar, batear e muito.

 

Chamo á colação (para efeito probatório do argumento brandido)

os vitais poemínimos:

 

 

Gazela montanhesa

no deserto como corre sozinha

mas se não tem amigo

como viverá depois?

(rubai de Bausani, sec VII)

Escadaria de jade destila branco orvalho

noite adentro lua reflete a seda da toga

no rio de cristal de teus olhos

outonais que flagro das fendas da gelosia.

(quadra do século V – Libó)

 

 

Ao enobrecer materiais das escadarias, salas, gelosias e togas que são jade, seda, rochas dos palácios de pedra cristal e orvalho pela via da hipérbole cria-se linguagem elíptica e bela que se chama poesia.

 

Gil Vicente, por moura influência, cantou:

D’esmeraldas e jacintos

toda a tapeçaria

as câmaras ladrilhadas

d’ouro da Turquia.

 

E o tanka do século XII, de Fujiwara Teika:

 

Para cobrir-se

quando vento outonal atarda

na lenta noite de espera

a Dama na Ponte de Uji

a lua estende.

 

 

Ou os haicais desconhecidos:

 

 

Bela jovem impelida

pelo vento da primavera

parece uma açucena.

Turvas águas

do meu rosto teus

olhos aclaram.

 

A POLISSEMIA NUA

Vital Corrêa de Araújo

 

 

 

 

Aos leitores de O monitor, no âmbito da coluna Paradoxos e provocações literários, trago a questão do significado em poesia.

 

Proponho-me demonstrar que  o poema é objeto de palavras e não história, prosa. O poema é feito de significantes (a outra face da moeda do signo que não o conceito). E que o poeta deve primar na organização destas (arranjos significativos) de modo a que sejam inéditos, sintagmaticamente novo, vário. E deixar de lado o significado (a referência, a realidade, o mundo fático) e considerar somente a realidade artificial, criada, imageticamente concebida, o mundo ficto, que é a literatura e a que se dedica o escritor. Qualquer preocupação com o sentido a ser dado é prejudicial ao poema que é algo construído. Então, o sentido do poema não é único, é equívoco (nunca unívoco), não é um só, são todos.

 

No conto Pierre Menard, autor de del Quixote, a “admirável ambição”, o propósito da vida de Menard era reescrever o romance de Cervantes, “palavra por palavra, linha a linha”, isto é, com os mesmos significantes e não outras palavras, mas com um significado novo e “quase infinitamente mais rico”.

 

Mesmo incompleto por razões do que não se pode suplantar, Menard tornou o seu Quixote “a obra mais significativa do nosso tempo”.

 

Mesmo usando as mesmas palavras (no sentido de significantes exatos, isto é, a mesma palavra como forma fônica, com as mesmas letras em sua composição), elas, no novo contexto do mundo, da época, 316 anos após Cervantes tê-la escrito, significam diferente diacronicamente considerando (embora sincronicamente sejam as mesmas), receberam um novo significado, renovaram os conceitos inerentes ao signo, isto é, revestem-se essas mesmas palavras de novos sentidos que o novo leitor (algum mesmo que ainda não tenha lido o Quixote original ou não) decodifica do seu ponto de vista ou contexto vital novo.

 

O absurdo da tarefa o é apenas na prática, mas logicamente é algo viável pelo que se demonstrou.

 

O ensaísta inglês de formação portuguesa, Stephen Reckert (que li e anotei em Lisboa – maio 2011) admiravelmente conclui sobre a questão exposta:

 

“em qualquer texto apenas o significado

é criado: os significantes são sempre os mesmos”

embora o vário arranjo destes implica em novo significado.

 

Daí a poesia ser expressa, formalizada, imprimida (e não só exprimida), exteriorizada através e via significantes – que são a sua essência – e não querer nada dizer, de específico, de exato, de presumido, de definitivo, porque diz tudo (e assim o fazendo não diz nada, porque a poesia não é para dizer mesmo), pode obter, alcançar qualquer significado. Eis a polissemia nua.

 

Por isso, invertemos o dito clássico aparentemente correto, testado. Na prosa, sim, e quase tudo é prosa.

O aforismo: As palavras voam, o escrito (isto é, o concreto) fica.

No domínio da poesia, as palavras ficam (no poema) e o sentido voa, porque não é fixo, é infinitamente variável, móvel por si, rebelde, jamais se permitindo aprisionar-se na cela das palavras, que é o poema. CQD

 

 

O VERSO LIVRE COMO LIBERTAÇÃO DA POESIA

 

Vital Corrêa de Araújo

 

 

É usual, em poesia, utilizar símbolos com o intuito (não a intuição mas o propósito deliberado, racional) de dizer algo referindo-o indiretamente via simbologias.

 

Nisso, nesse mecanismo, consistiria a correia de transmissão do sentimento poético ao leitor à espera de receber a carga emotiva, o conteúdo simbólico proposital que a poesia carregasse.

 

Mas T.S. Eliot sujou o esquema. Segundo ele, a única maneira de exprimir a emoção (transmitir a comoção, comover o leitor), sob forma de poesia – arte da palavra, é não utilizando o símbolo (muito subjetivo), mas o correlativo objetivo, liame que objetivamente unta a vária subjetividade do poema sem miscigenação de emoções ou confronto íntimo.

 

Ou seja, o transporte da emoção (poeta/leitor) por meio de palavras (poéticas, imagéticas, etc) dar-se-á via ambiente objetivo (não pessoal ou meramente íntimo), pelo posicionamento ou disponibilidade das palavras, elos dessa cadeia de transmissão dos acontecimentos que o poema contenha. Mas pelas cordas de resistência máxima que imprima ao potencial poético. Fora dessa constelação de condições, dessa cadeia de enlaces verbais, não haverá poesia, isto é, transferência de emoção simbólica ou via simbolismos não funciona (mais).

 

Mallarmé, conforme lucidamente observa Charles Chadwick, em A linguagem crítica, dissera algo, semelhante a Eliot, trinta anos antes, em 1891, ao definir o simbolismo.

“como a arte de evocar um objeto (emoção, sentimento, filosofia, sensação espiritual) a pouco e pouco, gradativa e sempre, de modo a revelar um estado de espírito, ou reciprocamente (ao inverso), a arte de partir do objeto (coisa, acontecimento, situação) e dele extrair (revelar) um estado da alma”. Um correlativo e não uma emoção direta.

 

O que revela (cria) o estado de espírito é o ato de decifrar o objeto (que não é dado, imediato, direto mas sugestão). Esse ato é “a pouco e pouco”, gradativo, lenta e silenciosamente, de tal modo que haja da parte do leitor desfrutamento, uma fruição, quase um orgasmo decifratório (ou devoração quimérica), que enlargueça, exorcize, resplandeça, imirja esse leitor quase no desvario, e faça assim a poesia delirar.

 

Portanto, o que em palavras seja o correlativo objetivo do que o poeta sinta e queira exprimir, compondo o que se nomine poema, não deve ser dado imediatamente, mas velado, apenas esboçado, sugerido, para que ao leitor caiba o trabalho maior, o esforço generoso (rogeriano) de revelar, destrinchar (como bom portenho picanhesco do verbo), decifrar desnudamente e oferecer ao mundo o petisco (duvidoso) da palavra com rumor de alma e sugestão de carne.

 

Pois, conforme Mallarmé, nomear, ditar, esclarecer um objeto (ou sentido) é banir (gastar, esbanjar cruamente) a maior parte do prazer que um poema possa suscitar.

 

O gozo interrompido do leitor pelo suposto ao dar de graça, entregar o sentido do poema, movido, por uma ânsia (esquizofrênica) de objetividade, excessiva racionalidade, deletando, bloqueando o processo (sutil) de revelação gradual e operoso do poema, é pura malvadeza, pecado contra a órfica arte da poesia, demência, irresponsabilidade de quem supostamente se intitule poeta em vão.

 

Ao orgasmo interrupto contraponha-se o gozo ininterrupto do leitor, que verdadeiro poeta propicie.

 

Certo teor hermético cria (e nutre) o mistério da poesia.

 

O simbolismo, como modo de expressão que não refere algo de vez mas o  faz aos bocados, referindo-o a pouco e pouco, sugerindo-o ao invés de aponta-lo, dizê-lo, em definitivo, foi vital ao salto (dialético porque parnasianismo X simbolismo digladiavam-se) que resultou na modernidade poética do século XX.

 

As inovações e técnicas novas da poética simbolista foram fundamentos para a eclosão do verso livre, condição fulcral da poesia moderna.

 

Gustave Kalan, que elevou o verso livre à condição de alicerce e baluarte da poesia, foi influenciado pelo simbolismo no seu proselitismo pelo versolibrismo. Foi deste poeta que Eliot intuiu a importância e o valor estratégico do verso livre para possibilitar à poesia a condição de refletir o século 20.

 

Mas a fundação da poesia moderna foi suportada pelos ombros atlas da tríade quase diva da poesia da era moderna: Rimbaud, Baudelaire, Mallarmé. E seus discípulos maiores Valéry e Laforgue.

 

E Lautréamont, como centro de conexão e indução, como realidade do absoluto, motor do delírio, da palavra convulsa como propulsora da beleza do verbo enlouquecido, que é a poesia.

 

VALÉRY E AS MARDIS DE MALLARMÉ

Vital Corrêa de Araújo

 

 

Das mardis noturnas do velho fauno (e nunca as tardes jovens em que ele lúbrico ressonara) a jovem parca Valéry participava com esmero devoto das largas abstrações da palavra brandida por Mallarmé no convívio da poesia (parisiense e universal).

 

Desacordado da realidade (vigente e amorfa), isto é, em vígil desacordo, dotado de aguda

 
LUZ DO ABISMO PDF Versão para impressão Enviar por E-mail
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A escritora Maria Cristina Cavalcanti de Albuquerque já ostenta obra literária de vulto, no contexto do novo romance brasileiro, com os títulos Memórias Diacrônicas de D. Isabel Cavalcanti (ed. Tempo Brasileiro-RJ), Luz do Abismo (Bagaço/Girafa) e Príncipe e Corsário (ed. Girafa-SP), que a tornam uma revelação e uma realidade, como exímia narradora dotada de surpreendente poder de imaginação ficcional.

 

 
JANELAS A PERSE PDF Versão para impressão Enviar por E-mail
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Só existe a história da alma. S-JP

As chaves de prata do seu exílio impenetrável

Perse nos deus, inflanqueou-o totalmente

(a seus leitores inconsolados

mas perdidos em sua estrídula pertinácia

em suas vertigens e calabouços da palavra).

 

 
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