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PoesiAbsoluta
LEITURA DE POESIA PDF Versão para impressão Enviar por E-mail
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O leitor retém o sentido, dá-lhe roupagem nova, adequada até, orna-o, acerta. Segundo Barthes, citando Admmauro Gommes, o leitor não descodifica o poema, mas o sobrecodifica. Não decifra, porém o recifra. O leitor real cria, adensa (possui ou se apossa do sentido, forja-o), completa, inventa o sentido (ou os sentidos) do poema. Imerge no âmbito largo e fundo da leitura pessoal – tentando se afastar ao máximo do autor acasional (ou ocasional), de alguém de quem ele não precisa saber o nome vital, e sai – dessa imersão textual, entre a terceira e quarta margem do texto, com os sentidos que lhes doa a salvo (e enxutos).

 

 
JANELAS A PERSE PDF Versão para impressão Enviar por E-mail
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Só existe a história da alma. S-JP

As chaves de prata do seu exílio impenetrável

Perse nos deus, inflanqueou-o totalmente

(a seus leitores inconsolados

mas perdidos em sua estrídula pertinácia

em suas vertigens e calabouços da palavra).

 

 
GRANDE SERTÃO: 50 ANOS DE VEREDAS PDF Versão para impressão Enviar por E-mail
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“Estiram-se então planuras vastas. Galgando-as pelos taludes que as soerguem, dando-lhes a aparência exata de taboleiros suspensos, topam-se, às centenas de metros, extensas áreas ampliando-se, boleadas, pelos quadrantes, numa prolongação indefinida de mares”. Eis as paragens dos campos gerais, os sertões cerrados virando mares inóspitos, selvagens águas minando das páginas rosianas, tão altas, tão curvas.

 

 
DEUS NÃO MORREU PDF Versão para impressão Enviar por E-mail
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Há 130 anos atrás, Nietzsche decretou sem pena (com seu cálamo em riste) a morte de Deus, fato que desencadeou o medo (de morrer também) e a necessidade (urgente) de substituí-lo logo (e Logos) antes que as coisas se complicassem por demais... e esse vácuo primo ( o locus vazio) fosse ocupado (porque o vácuo não dura) por velhos e obstinados demos. E também porque: Deus morto, tudo seria (ou nada seria) permitido. A velha questão, antes meramente jogo abstrato, agora se afiguraria prática... após....

 

 
ANOS EXPRESSIONISTAS PDF Versão para impressão Enviar por E-mail
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(Meu primeiro contato com o tema ocorreu em 1988, em Dusseldorf (Renânia do Norte – Alemanha), quando passei temporada a serviço da Secretaria da Fazenda do Estado de Pernambuco, participando de um curso sobre Inteligência Fiscal. Na universidade – mantida pelo sistema fazendário estadual alemão, incluindo cursos secundários e superiores, para preparação dos quadros fiscais – estabeleci relações com alguns docentes, entre os quais uma professora de literatura, que me apresentou aos expressionistas. Em Recife, através da editora mexicana Fundo de Cultura Econômica e livrarias do Rio/SP que redistribuíam livros espanhóis, entre as quais Duas Cidades e Poliedro (esta, quando fechou as portas, adquiri, a preço de banana prata, mais de 500 volumes), consegui obras de Georg Heym, Ernst Blass, Yvan Goll, Alfred Doblin, Walter Hasenclever, Georg Trakl, Stefan George, Jacob Van Hoddis, Ernst Stadler, G. Benn (cuja obra completa comprei em Madrid), Stramm, Lichtenstein, René Schickerle, entre outros).

 

 
A POESIA BRASILEIRA PDF Versão para impressão Enviar por E-mail
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A poesia é o verbo (de barro) com presente, passado e futuro. Que vive o tempo da palavra. No Brasil, hic et nunc, a poesia não tem futuro. É relativa ao passado.

Nesse contexto, a poesia absoluta (a neoposmoderna) é anacrônica. O anacronismo se refere ao tempo presente. Pois o verbo da poesia brasileira de agora conjuga-se no passado (é cônjuge do passado a poesia brasileira de hoje).

A poesia neoposmoderna é a do futuro. Embora que, nós, poetas absolutos, já esgotamo-la e já investimos na poesia posneoposmoderna.

 
GRACIALIANO SEMPRE PDF Versão para impressão Enviar por E-mail
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Atribuiu-se o apodo de vanguarda às várias correntes artístico-literárias iniciadas na Europa no começo do século 20, lançadas atravésde manifestos, como o da literatura futurista de Marinetti, o da escultura, de Boccioni, o santeliano, dos arquitetos (Sant’Elia), o manifesto do teatro sintético, o dos músicos e da arte dos ruídos, entre tantos.

 
INTRÓITO PDF Versão para impressão Enviar por E-mail
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“Janelas a” compõem textos – que denominei a um tempo de leituras escritas.

São diálogos de um leitor solitário consigo mesmo e com livros. Sobretudo com o espírito de seus autores.

(O ambiente de leitura é estranho e fascinante. Um velho apartamento de frente para o canal de Jequitinhonha, em Boa Vaigem: 170 m2 de livros (cerca de 10 mil volumes e mais de tonelada de documentos literários). Há anos, só o autor tem acesso a esse local de tesouro).

 

 
Ninguém no Brasil sabe o que é poesia. PDF Versão para impressão Enviar por E-mail
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Escrevi algo sério que pareceu provocativo nas páginas valorosas de O Monitor: que ninguém no Brasil sabe o que é poesia. Os milhares de livros ditos poéticos dos milhões de (mau) ditos poetas são outra coisa. Outra coisa apenas parecida com poesia. Escrevo muito (mas não o bastante), cerca de 12 a 15 livros a cada ano, desde que me instalei na cela (com cilício) do Mosteiro de São Bento, e agora no Castelo, em pleno acme da colina Quilombo próxima à Magano, a 1.080 metros acima do nível do mar de Boa Viagem onde vivo desde 1960. E onde fica (Av. Jequitinhonha) a Biblioteca Borges com seus (meus) 10.000 livros, ambiente que o artista garanhuense Daniel Santiago diz ser um poema ambiente para visitas dirigidas... de tão estranho, inusitado...e intrincadamente (des)arrumado. Em 1912, publiquei poucos, apenas nove: Ora pro nobis scania vabis, Ave sólida, Bando de mônadas, Crepúsculo do pênis, Kant não estuprou a camareira (foi firula do Lampe, o mordomo) Borges (Jorge Luís, portenho) e Eugénio (de Andrade, luso), Me mostre seu cu, A eternidade é inútil e Silo de silêncio, paiol de solidão.

 

 
CARTA DE NASSAU AO POVO DO RECIFE PDF Versão para impressão Enviar por E-mail
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Miosótis, não me esqueçasVim a estas terras distantes e excelsas, a este novo e vigoroso mundo, quase virgem, da impura mão européia; vim a este éden chamado Nordeste do Brasil, trazendo no punho, envolto no coração, um sonho ferrenho e valoroso: o de realizar uma utopia pessoal, o de plantar as sementes de um império tropical e urbano, o de inventar uma cidade sobre rios tributários do Atlântico, uma cidade que nascesse dos arrecifes e pairasse sobre as águas, como o espírito de Deus.

 

 
A TRISTEZA DE DEUS PDF Versão para impressão Enviar por E-mail
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Deus deve estar triste. Com o mundo dos homens. Sua principal criação. Com certas criaturas, que se revelam novos e atilados átilas e se deliciam com jogos de guerra, invasão real de países, esmagamento literal de nações, à força de bombas e fuzis automáticos, granadas, reides aéreos, razias bombardeiras. Após o fim da guerra fria, com a rendição de um dos oponentes, o que sobrevieu reinventou a guerra quente preventiva, sem declaração, para tumultuar, fabricar armas, renovar o parque e o estabelecimento industrial-militar, rendoso e sanguinário, em que petrodólar e usura dão-se as mãos.

 

 
MORTE E VERME (IRMÃOS) PDF Versão para impressão Enviar por E-mail
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Nada transcende, nada resiste, nada sobrevive

ao verme. A larva (eterna) roe-nos (até

aos ossos) corpo e alma. Pois suas

mandíbulas (atras e macias) são igualmente metafísicas.

 

A morte é uma esfinge a devorar-nos

decifrêmo-la ou não.

 
Vida Simples (Ou Trágico prélio de irmãos) PDF Versão para impressão Enviar por E-mail
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Hermeticamente profundos.

Os fossos da depressão são escuros, largos, circulares e atentos. Estreitas só as portas do céu da normalidade.

 

Se, ao menos, eu fosse escritor poderia curar-me por alguns dias,

aqueles em que mergulhasse no interior caudaloso do processo criador:

enterrado nos ungüentos vivos da palavra, libertaria o mal que me alucina os

dias, evitaria, sei-o, suas garras antigas e precisas, aduncas como as de um lobo que voasse.

 
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