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PoesiAbsoluta
A literatura PDF Versão para impressão Enviar por E-mail
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A literatura – parte da totalidade da cultura, é um fenômeno específico, não do âmbito da razão, porém do campo da sensibilidade, isto é, do espírito, característico do espírito humano, em sua plena evolução. Não evolução geológica, ou seja, meramente temporal, mas produto de um processo do desenvolvimento cultural (isto é, não técnico ou científico). Cerca de 100 anos antes de Cristo, em especial no século V a.C. e nos começos dos tempos históricos, 100 anos antes e 100 anos pós-Cristo; a literatura (em particular, a poesia) alcançou seu apogeu, em Grécia e Roma.

 
SÉBASTIEN JOACHIM E A POÉTICA HOJE PDF Versão para impressão Enviar por E-mail
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Antônio Campos

O catedrático da Universidade Federal de Pernambuco, professor titular da disciplina Teoria da Literatura, Doutor em Letras pela Universidade de Quebec (Canadá), crítico literário e especialista em semiótica do texto, canadense naturalizado brasileiro, há 30 anos ensinando em Pernambuco e na Paraíba, Sébastien Joachim, é um scholar, um poliglota e erudito na acepção mais moderna do termo.

 

 

 
OS CINQÜENTA POEMAS PDF Versão para impressão Enviar por E-mail
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O poeta Vital Corrêa de Araújo publicou, pela editora Galo Branco (nome que homenageia Afonso Frederico Schimidt, título de um de seus livros), o livro "50 Poemas Escolhidos Pelo Autor", dentro de uma série editorial que contempla Mauro Salles, Elisa Lucinda, Antonio Olinto, Carlos Nejar, Lêdo lvo, entre outros.

Essa importante editora do Rio de Janeiro, sob direção de Waldir Ribeiro do Vai - que também edita a revista Poesia, homenageia com essa série a José Simeão Leal, criador dos Cadernos de Cultura, do MEC, na década de 50, que contemplava edições de livros com 50 poemas escolhidos, como o caso de Manuel Bandeira e Carlos Drummond.

 
O DESTINO POÉTICO DE VITAL CORRÊA DE ARAÚJO PDF Versão para impressão Enviar por E-mail
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Sébastien Joachim

Existem poetas cuja obra desenha uma curva parabólica, com um período de tentativas medíocres, o período de apogeu e um de desistência de suas possibilidades criativas: sobreviverão nas antologias pelos feitos da segunda etapa.

Outras pessoas que reivindicam o título de poetas, mas que em vão cortejaram a musa, desaparecerão do cenário mundano onde evoluem, uma vez extintas e/ou privadas dos apoio “políticos” que as sustentaram.

 
A PERVERSÃO POÉTICA: entre a Tradição e a Invenção PDF Versão para impressão Enviar por E-mail
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Sébastien Joachim

 

 

Depois de esclarecer o conceito de perversão, apresentaremos a razão por que o poeta é um ser cujo trabalho de mundificação invalida o comparatismo crítico. Exemplificarei essas considerações preliminares pela breve leitura mito-poética de um poema.

 

 
VENCE PDF Versão para impressão Enviar por E-mail
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a um ocaso cujo escarlate perdura num vaso em Creta.

 

para os ridículos literários, artísticos,

sociais e políticos do nosso tempo.

 

“um homem pode viver três dias sem pão

mas não sobrevive um dia sequer sem poesia”

Baudelaire

 
QUATRO POEMAS PESSOAIS PDF Versão para impressão Enviar por E-mail
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ULISSES

Só as paredes confesso: meu nome é Ninguém.

 

IR-SE

Vai-se rosto num vórtice supremo

(fica máscara vazia ao relento).

 
POEMAS A ADMMAURO PDF Versão para impressão Enviar por E-mail
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Meu coração é presa do crepúsculo

de Água Preta

de abutre devoto humilde

de suas bordas herméticas

como um precipício rubro escapam

pulsões e chamas de ventríloquo.

 
PARA CLARIDADE DA FUGA PDF Versão para impressão Enviar por E-mail
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a César Leal

é preciso que rostos se extingam

e tochas emudeçam

para claridade da fuga

 

que rios cubram rumos

e rastros ceguem sendas é preciso

para claridade da fuga

 
MEDITAÇÕES ALQUÍMICAS, REFLEXÕES ÁLMICAS PDF Versão para impressão Enviar por E-mail
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ELA

Ela trajava quimono célere

bem ajustado na cintura fêmea

o que era estranho (não inerente ao traje)

cor de abacate com florinhas murchas

estampadas do ombro para o lascivo braço

andar húngaro, riso escarlate

pintado de açafrão e baunilha

nos cabelos duas orquídeas

lua na mão esquerda

pendurada pela colméia

abelhas belas nos olhos

ar de rumor na fronte

na pálpebra grito escuro

fêmur de sabiá no seio

corpo clavícula de flor

com primores amarelos a boca

embriagada de lírio e magia nasal.

LUA SOBRE ESCOMBRO

(11 monósticos vitais)

Ao cuidado de si mesmo.

 

Pedra para sede da alma.

 

Nada sabia sobre luas nômades.

 

Amo lavabos e sacras pias.

Verme ama cadáver.

Beira de água sou.

 

Cão de orvalho colho com exata ração de paciência.

Alpiste para bentiví comemoro.

Adoro limbos absurdos.

Almas não se entendem.

Acres pântanos úmidos vãos agrimenso.

 

 

 

CINCO POEMAS DE 26 DE AGOSTO 2011

Pânicos certezas atravessou todas

com garrulice e cobardia

com galardia e desinência

nomeou o que lhe atribulava

com ternura de frade abstêmio.

 

Odor cálido de malte e cevada mitrada

(além de trunfas viçosas de cambriano latido)

exalava barcos atracados do Tâmisa.

 

Fedor defumado subia

dos coches pânicos (cascos

latindo aleluia das ruas londrinas).

 

Estreitos que Gilbratar cavara

bêbados barcos alastravam.

 

Índices índios revelam fumaça

despedidas das chaminés selvagens.

Fumegantes mensagens que luziam,

laudas de fumo do céu sem graça.

 

POEMA DE AMOR (8)

para José Gálaxy

 

 

Aroma vermelho de sangue velho pálido subia

do canteiro de mênstruo da aurora

delicioso jorro de abelhas se ouvia

da varanda dos pássaros de setembro

rumor de lua nascia dos odres

que a sede abandonara pendia

odor de teu sorriso espírito satisfazia

com indumentária viçosa de tua boca minha.

 

ROL E LUPA

A Paulo Bandeira da Cruz

Açafrão microscópico, ávida lamparina

(lume de ovelha, brasa de baunilha)

salmoura redonda, invasão muçulmana

de preces ajoelhadas, altos salmos a  Alá

salgando o céu ardoroso da mesquita

corações repousando em potes de vinagre

vísceras incendiadas de carmim suave

cadáver de filósofo na pia (metafísica)

lançados estão os cálculos da alma

e os dados da carne já ardiam.

(Que Pitágoras há de recolhê-los?).

(Que Mallarmé há de aboli-los?)

O ESTILO É O HOMEM

Astrônomo estrábico

cego céu esquadrinha

com precisão ferina

(escandalosa perícia

abominava sua retina).

 

Estrídulos cegavam-lhe o tímpano

sons de galáxias escapavam do lume

telescópico de sua alma escrutinadora

dos céus de Deus e dos homens (vãos)

elementos celestes cósmicos portulanos

luzes do infinito maralto revelavam

do estribo da eternidade cavalos

da vara de Deus disparados

alimentavam o mistério vivo.

 

Os dados estão lacrados ainda

que chave de DNA, que clave

de partículas elementares

hão de abri-los?

 

EU

Anatomia da alma melancólica dissecada

minuciosamente com espátulas microscópicas

(cada átomo do espírito posto a olho nu da luneta)

por ímpios cachetes inibidores da bile

negra circunvolucionando pelo crânio e arredores

bisturis de fagulhas alumiando o íntimo

afiadas sombras auscultando

sulcos do espírito expostos a lume de abelha

na colméia da nuca seccionada

por cirurgiões do id acostumados

à faina analítica do lodo melancólico, esgotos

do ventre do imo abertos ao céu da escuta

escatológica acicatando questiúnculas da alma

em busca de respostas inesperadas ou imprecisas.

 

(símbolos do ego dejetados como mísseis da carne)

 

CARÓTIDA DE PRÍNCIPE

(com rimas em ia e ava)

Era desenhista de catástrofes venais

agrimensor de auroras intestinas

areado nos labirintos dos fidalgos lodos

secções de carótidas de príncipes colecionava

com paciência paciente e pinças esmeraldas

além de pilhas de incenso puritano

atulhado na sala junto a pântanos de ânimo

bebidos com copos do absinto de Funchal.

 

Curvas do crânio anotava

ossos da nuca na vasilha destra juntava

com esboços de lampejo do coração cortado

em fatias seccionadas com destreza bisturística

com alicates e navalhas de bom fio, férrea presa

do estábulo do esterno, muro, recolhia

com pinças vermelhas testículos de Áugias

e tenazes para apêndices de Broca.

 

Cartilagens verticais, vértebras serviçais

amontoava círculos dissecava

enquanto mortos em Trípoli se amontoavam

ou ratos devoravam o fígado do tirano

(que nem Siracusa perdoava).

 

CÍRCULO ACCIÓLYCO

Círculos vermelhos reunia Gálaxy em 1962

estriando lóbulos cerebrais de coelhos

da intrincada tela de neurônios inumeráveis

da lebre, labirinto químico elétrico, extraia

tutano e redondilhas de miolos rimados

consciência, ânsia, esperância acciólyca

elementos da alma reflexos

do íntimo homem encéfalo animal.

 

Que insólita luz guia navalha

pelos entroncamentos do id, labirintos

elétricos, paixões químicas desencadeadas

átomos acasalando com lampejos em leito de losango

que escapam da rede neuronial acesa?

Por fagulhas geométricas luzes da ribalta da vida.

 

ALMA DE PAPEL

Sede de poema tenho

que não sacia a palavra

jorro, revolto rio de imagem, catadupa

de figuras mentais, esboços flutuantes

do Siloé e do Averno

escaneio o verbo, extraio

positrônio brilho (galáxicos)

dos neurônios da poesia reunidos

na praça de barro do verbo acantonado

no limbo da palavra margem

bilhões de feixes, redes de trilhões de sinais

trocados entre sílabas e almas

comungadas como demônios agrestes

sina em curso eu curto

na página da alma de papel, o poema.

 

Amoniaco cozinhado com maníaco fogo

de rito agrário em pedra boticária de moer.

 

Aroma de brejo subia de teu lábio.

 

Voz de arnica, gesto de mimosa, drágea

de efemerina-da-virgínia e pose de miosótis

era tudo que eu tinha.

 

Posto de incenso seguia minha narina

clamor da ágora espírito alimentava.

 

Mescla de fétido terebinto

e lúbrico aroma de mulher no cio se misturavam.

 

Como velha podre dissecada e menisco de ervilha.

 

Vozes dos nuezins comemoraram bravo tiranocídio.

 

DESCARTES / NASSAU

Existo porque penso.

Descartes passeava por Paris à tarde a Berkeley

com roupas de vistoso tafetá

chapéu emplumado (como um não-cão de João Cabral)

uma espada de cobre pendondo do cinto

e dúvidas penduradas da algibeira (filosófica).

 

Em 1622 embarcara numa nau flamenga

para servir de cabo de guerra ao Príncipe

Maurício de Orange contra espanhas.

 

Através das fecundas lentes de Kepler leu a realidade vívida.

 

Descartes ponderoso medira

todo o fluxo do espírito através dos ventrículos da lua.

 

Moléculas de sal soluto sorvia

já cogitando do ego são.

 

René pesava almas e átomos de tempo

René media e dissecava a alma do átomo

(desconfiado que Deus habitasse o núcleo).

 

Descartes fazia escambo de almas por máquinas

trocava fé por certeza, capelos por elmos

palha por fogo, silos de luz por eitos de sombra.

 

Dizia: há uma alma em cada relógio

criando hora.

 

Quantos átomos tem a lousa?

Quantas partículas o movimento.

(com luneta espinoza espichava o tempo).

 

René era como uma vela acesa ao vento

ia-se, via-se.

 

Descartes descerebrava bezerras holandesas

buscando acomodar a alma

no leito minúsculo da glândula pineal.

 

FUTURO FEITO

Não resta ao futuro

nada fazer

tudo está feito

e bem feito.

 

Deus criou DNA e átomos.

O resto foi combinação do acaso

E cálculos das combinações genemas.

 

Pasto de mosca

banquete de furúnculos

em travessas de pus

panarícios e guloseimas podres.

O mistério da decomposição

em pratos (ou páginas) limpos

fruto da crua dissecação do tempo.

 

Reis devoradores de escrófulas

sob miseráveis muros de crenças sépticas.

 

Pinças e perícias para lancetar mazelas.

Com fios de suturas restaurar o mundo.

 

VISÃO 7

Do velho monastério restaram sombras

e passos de vésperas, além de obesas laudes

alastrados de vozes dolorosas

que acossavam escadas e mirraram.

Do altar das rainhas estupradas

nasceram flores e azinhavres.

Varre velho claustro vento vão

espadas do relâmpago alumiam o chão

ciprestes agonizam na sacristia escura

vulto de cavalo esporeia o vão.

Esporos de horas enxameiam cada desvão.

Cupins do púlpito oram ao cerne arbóreo.

Puas se acasalam com patenas no átrio.

Do píncaro da aurora saltam sombras marmóreas.

 

 

EPISÓDIO

A galopes de machado feriram o pálido eu

sulcos vermelhos arrancaram do alvo empíreo

baunilhas e abelhas deixaram ao leu

carcaças de nuvens abandonaram na relva

espumas de corcéis espalharam na página

das vísceras abertas do céu caíram

anjos inoculando o chão.

 

 

ENCONTROS VERMELHOS (1)

Encontrei-me com Algirdas Greimas

num pátio branco perto

de um hospício semiótico

deixei CS Peirce na sala o livro

aberto na página

junto a um molhe de alface

recém colhido de uma gôndola

de supermercado.

Acompanhava-me Eco, o do mistério rosa.

Tratava-me como Vital Narciso.

 

 

INTERPRÓLOGO

O sentido (em poesia) existe.

Apenas não é (nem deva o ser) fácil encontrá-lo.

O mais cenhidamente sonegado a leitor fácil.

Deixe-o ralar à procura do sentido perdido

(como idiota Indiana Jones).

 

Por isso é preciso dar à mensagem (texto)

O formato a mais hermético possível e

(para valoriza-la).

Criar ressignos.

Prosseguir com ressignificações intermitentes

Capazes de tempestuar (de peste e ímpeto)

O pobre cérebro leitor acabrunhado

De tanta poesia difícil.

 

Pois o poeta confronta (e revela) o sentido

oculto na túnica e dobras da palavra

(mantos consúteis e probros)

Digladia com a aparência da realidade

Com as armas reais da palavra poética.

 
POETA HERMÉTICO, E DAÍ? PDF Versão para impressão Enviar por E-mail
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Cláudio Veras

Há décadas persigo a trajetória de Vital Corrêa de Araújo, em especial, no rastro dos livros Só às Paredes Confesso e Palpo a Quimera e o Tremor, além de parte de Simulacro seguido de Escuras, cujos originais pertencem ao Professor Sébastien  Joachim. Também compulso Atanor e O Sal contempla o Atlântico, além deste e de Estou.

 
O QUE PENSAS E SENTES, ISSO AINDA NÃO É POESIA PDF Versão para impressão Enviar por E-mail
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Admmauro Gommes

 

ANTES que alguém pense que estou inventando moda, confesso que a frase que intitula este comentário, não é minha. É de Carlos Drummond de Andrade, retirada de um poema (Procura da Poesia), publicado em 1945. Depois que o escritor mineiro adverte sobre as armadilhas que envolvem a criação poética, indicando que não se deve fazer versos sobre acontecimentos, definitivamente, aponta o caminho: “Penetra surdamente no reino das palavras.” De outro modo, é o mesmo que disse Manoel de Barros: “a radiância de um verso (...) vem das radiâncias letrais.” Ou seja, do confronto da palavra pela palavra com a palavra. Assim, “o que pensas e sentes, isso ainda não é poesia.”

 
Ludismo transcendente PDF Versão para impressão Enviar por E-mail
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Hildeberto Barbosa Filho (*)

Vital Corrêa de Araújo, poeta pernambucano, pública, pelas Edições Galo Branco, seus 50 poemas escolhidos pelo autor. Posso ter, enfim, uma visão de conjunto e uma percepção mais seletiva acerca de sua poética individual que se expressa em títulos importantes, como A cimitarra e o lume (1981), Burocracial (1983) e Canção de Areia (1996), entre outros.

 
O TEMPO PDF Versão para impressão Enviar por E-mail
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O tempo é uma rua de Paris

cheia de pacíficos murmúrios

e rumores de serpente persa

dos vândalos gozos

das usinas de absinto estrelado

com uivos verdes de anis

e tédio cintilante

 
RECIFE DE MINHA COMOÇÃO PDF Versão para impressão Enviar por E-mail
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Recife, cidade adiada

submersa em sua mágoa

espaço sem corpo

só pedra, rio e goivo

trapo de sono

ventre de cio

 
POEMAS DA ALAMEDA JURUPIS PDF Versão para impressão Enviar por E-mail
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NA RETORTA DO TEMPO

 

Na textura do sal a pele da palavra

úmido atravessando a alma

 

 

(a travessia do sentido, a barca

da metáfora endiabrada, o mar

 

 
POEMA WALDEMAR LOPES PDF Versão para impressão Enviar por E-mail
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Vital Corrêa de Araújo

Há uma licor de palavras

cheio de lumes e seivas

repleto de olhos de estrelas

num cálice azul dormindo

capitoso e iluminado

poema waldemarino

 
MORTE TROPICAL PDF Versão para impressão Enviar por E-mail
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Morte tropical é árida. Não sonora

a não ser que búzio ou crótalo a console.

Não brota do coração de cardos.

Emerge de conchas, coivaras, espelhos

vem das fontes noturnas do inóspito

galga penínsulas da alma, trapézios sutis

e os lumes do tempo atravessa

 
DIVA ODE AO VINHO PDF Versão para impressão Enviar por E-mail
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(à moda de Anacreonte)

“vinho da palavra, metáfora

sua embriagues, poesia!

Aos vinhos, esta ode-quase-ditirambo,

e à memória das noites brancas

dos anjos roses, dos evoés desvarios

e da unção de nossos lábios

pela dádiva do vinho, esse bem do espírito,

metafísica líquida, odre de alegria

para a alma, tua e minha!

 

 
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