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POEMA E CINZA PDF Versão para impressão Enviar por E-mail
Escrito por Administrator   
Segunda, 31 Outubro 2016 22:15

Dormias como maçãs macias acomodadas

em bacias de algodão e litanias

sob égide de garboso candelabro

 

 

a lançar razias de luzes infantis

sobre lábios.

Sabias quando eu me inclinava

para sussurrar-te: a morte é vazia.

Apenas turvo substantivo, adjetivo

da improvável gramática da vida

ingenerosa e defectível. Mesmo que impune

é uma palavra doce, um dissílabo

do monossilábico latim advindo: mors.

Sei que tateio terreno putrefato

e empreendo concertos loucos quando

empilho palavras sobre a sorte da morte, esse fluxo triste

que desenterniza a dádiva da vida

ávida em perpetuar-se como um fungo

um esporo, uma mandrágora, um sussurro.

 

Se me acerco a teu coração e te conturbo

assim o ânimo com infausta mediação

é que me devoto à vida que distilas.

 

Estamos em janeiro, mas já auguro

enviar-te flores de setembro, antecipar

o aroma, reduzir todo expectar

em torno de ti e de teu coração varonil

a nada ou zeros esquerdos esquecidos.

Te sonho ainda como semente

te envolvo em ósculos ardendo

te sinto verter-me a beleza de ser.

Ao ver que as horas pararam

e o páramo redondo do relógio engasgou

o tempo engarrafou, te digo: este poema

é para amanhã: quarta-feira sem cinza.

 

 

 

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