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AO BOM ALVITRE DO POENTE PDF Versão para impressão Enviar por E-mail
Escrito por Administrator   
Segunda, 31 Outubro 2016 22:23

Do páramo donde me despeço da tarde

avisto todo o ocaso, suas nostalgias

e trêmulas cores debulham como milhos

cones vermelhos no céu distante irresistível colho

 

 

e toco com olhos rasos de navalhas lacrimais

dentre flores de melancólicas luz  visão arrasa

quando já se apagaram desvairados

todos os gritos do meio-dia ácido

e se tece de ausência e alta solidão

o tempo feito cadáver da hora poente.

 

2

Abro a jaula da vigília

embosco a luz da redoma

no oculto ardor do orvalho incluo

argila e sigilo, fogo íntimo, sopro fátuo.

 

3

Apenas se insinuem sementes

horto engravide, rasteje rosa

relva se locuplete da umidade noturna

horizonte do silêncio se achegue

lua coagule o prado

exprima-se o vento em cubos ávidos

de sopros leves poema construa-se

e a página da campina livre se condecore

de alegria infinita, e realize o poeta iluso.

 

Sal e flor, alumínio do sol

olhar de fulgor, rosas incrédulas

incendiadas do teu olhar eterno

mal torne-se tigre o meu rumor

a natureza te brinda

de corbelhas de nuvens

e alísio ventos  pousem em teus seios

refresquem a face

nua, e eu te adentre firme como pássaro

do cútis infinita.

 

4

Porque há borboletas, somos.

Ou por que Deus ousou

fazer a borboleta do barro aéreo?

5

Teus olhos vazam-me o rosto

minha cena interior exponho

lágrima de pedra atiro ao vento

tenho-te para ver o porvir.

 

6

E no trote aéreo de Pégaso

alucinando o céu

além das pedras náufragas sepultas

no porto das carícias busco

raiz mesopotâmica

onde sal cultive

sombras assírias.

7

Horas de cinza

relógio ávido espalha

pelo corpo do tempo

pós de Cronos.

 

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