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ORIGEM DO ÂMAGO PDF Versão para impressão Enviar por E-mail
Escrito por Administrator   
Quinta, 13 Julho 2017 23:40

Levante de metal, manhã farpada

coivaras do amanhecer

aurora dentada

rosa mecânica

cena púrpura

aurora dentada

engrenagem de Deus

roda hindu

grade sânscrita

trégua etrusca, hímen arameu (língua que Deus falava)

parto de cristais e mulheres

ômega de Kant

ressurreição dos vitrais

os músculos rebeldes do coração aceso

como tocha olímpica selvagem

as turbinas do poema desencadeadas

Boa viagem, Recife, adeus amadas (passadas).

 

De solitária luz e água cega

e fogo universal (comburentes do ser)

é feita minha praia

(de argila e lâmpada

de oblatos e misericórdia

de alicerces dos aluviões é a sombra

do porto do Recife).

De virilhas de estrelas e cilhas

atadas a potros de Andrômeda

das crinas dos cometas

do enxame das galáxias

e flancos de búzios emboscados

e loas de sereias amarradas

(a mastros de Tróia, aos músculos de Ulisses)

vive o sol verde das estradas

que trago preso aos sentidos das palavras

vivem as utopias que cevam a humanidade.

Brilho longínquo (dalguma estrela extraviado)

rumor a cinza e a verme (dolicocéfalo)

me observam do cais desesperado

com lupas e cicuta afiadas

medem a minha desmesura

com trenas e compassos devorados

aquilatam o teor e a avidez

de desumanidade da alma

das lonjuras do tempo sem data.

Ao poema que é fábula, consolo, culminância e pua

da eclosão do ser

A ti leitora que caminhas

sobre labaredas impassíveis

transfigurada de metamorfoses e perdizes

ao cadáver do senhor amortalhado

nas negras dobras de uma noite perpétua

ao cadáver da manhã anunciada

nos profundos dobres de um sino sujo

ao cadáver que é a flor neozelandesa.

 

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