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HORIZONTE E BÚZIO PDF Versão para impressão Enviar por E-mail
Escrito por Administrator   
Quinta, 13 Julho 2017 23:42

(flashes líricos)

Só o sal é imortal

(e não rima com morte ou cal)

Sino já não dobra mais

se o faz

dobra por ninguém

numa ilha sem Orfeu

em que o sol não se levanta mais

Cálices de ilusões sorva inutilmente

com a sinceridade dos lábios

da vida atra ficou uma palavra

extraviada do jângal de um poema

O que fica da vida é o brilho do orvalho

na folha da relva cravejado

a luz de uma pedra

o ângulo de um lampejo

a aresta desmaiada de um beijo

ou o desprezo de uma fonte

A vida deixou-me palavras e lodo

poeta as recolho

do sopro que reste e deito-as

nessas páginas tristes

sem desespero ou esperança

(de serem lidas ou desprezadas)

enterro-as em mim, serão

lápide oculta da vida triste que tive

cheia de momentos de iinglória

 

Fino brilho de teia e água

reflexo distante de aurora

aranhas que a hora depreda

ou que o esmo dispersa

lembram-me tuas veias nuas

 

Todas as dores da vida

são reais e passageiras

como a crueldade da seda

Horizontes cegos semáforos da vida

tumultos do mundo benesses vivas

A noite é caçadora

habitada de noturnos aromas

e o poeta sem aurora é um muro

abandonado no escuro

A noite plena de constelações senis

é como uma tarde esquecida num espelho

ladeada  de alumínios sem lua

Sol fica preso

na vidraça de teus olhos passados

Sol ampara-se por trás

da orelha decepada de Vicente

Na vida entre dor e dor

corre o relógio sem data do amor

Canção de labareda

o sol viola

A noite se banhava

em teus olhos úmidos, âncoras, docas

onde lágrimas perdidas aportam

e a luz vem beber verduras

da horta do cais noturno

à beira do qual morriam madressilvas

e borboletas pousavam nas açucenas

que as pálpebras da tarde enlouqueceram

Noite

aurora inconsciente

bruscamente amor

(e verdade)

que o leito abandonou

iludida

pelas manhas das manhãs

 

Vivamos unos e sempre imortalmente

bebamos cada tostão da vida

até que lastro sucumba

alento nos abandone

e a crença ou a prata nos deslinde

nus e fiéis ao nada

E os muros do desespero permanecem

indesmoronados, triunfantes, vivos

intactos como abismos

Areis desmoronadas

muros troianos beijando a vala

heróis ao rés do chão

Tróia na lona, a pátina vencedora

triunfo do escombro

fibra destruída, o pó

que restou da pujança

joio que ficou da coragem

Cada sílaba mineral da dor de viver

pronuncio e cavo grito lanço ao céu

Fria  estela do túmulo

lápide trêmulo (e surdo nome) lapido

em lugar do poema

têmpera de cólera vela

o que reste de minha vida (anti-hínica) ímpia

que não vale um sono de corça

(ou uma rosa brotando do asfalto sem nome)

Só o sal é inútil, entre tantas

utilidades taurinas (ele é deletério e lunar – o sal)

do mundo capitalista, definitivo

auge e zênite da formação do humano e da matéria

(em aliança imperecível, insustentável

com a solidão do sol)

Do túmulo da utopia lanço flor de náusea

verso comedido

conforme à consolação viva.

 

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