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DÍSTICOS EM RISTE PDF Versão para impressão Enviar por E-mail
Escrito por Administrator   
Quarta, 09 Agosto 2017 22:57

Quem esfaqueia o torso dos precipícios

rumores brancos tocaia nas narinas do cume.

Quem ante as muralhas do crepúsculo ajoelha-se

e entre declarações de flores  suicida-se.

Quem cáucasos e abutres promete

cavalos arreia e íntimas ameias conquista.

Quem escala borlas

iníquos séculos cava das cinzas dos ossos.

 

Quem resgata âncoras náufragas

e portos sepultos recupera.

Quem as sépias dos ossos escande

as formas do ímpio abrange.

Todo poema é um epitáfio

à alma

sombra e vagar pelo desolado Hades.

Tempo

rio perdulário e cínico

onde não há duas vezes.

Triunfo é algo tão fácil (artificial)

quanto uma máscara sem rosto.

O poeta como Ponge

tomando o partido das coisas.

Silêncio dos objetos

´´ ósseo intenso.

Conchas estupradas

cavalos líquidos.

Iluminações senis

dos lilases horizontes.

A derrota nunca é completa.

A devoração é uma virtude humana.

 

A eternidade não é de jade.

É de pedra comum, temporária.

Átomos de palavras e água (poesia).

Rosto de narcisos e mágoa (poesia).

 

Sais dos músculos.

Beleza do silêncio.

 

Mar da página. Veias para onde singrar

o barco louco da palavra.

 

Que ímpeto de tâmara vinho aprofunda

que cálice de sede hora despreza?

 

Poeta sobre feridas estagnando-se

aprofunda os sais terrenos da alma

 

cobre de prata plúmbea lua

o mar veio da vida

 

lírio insólito insufla olhar

gera flor a força da imaginação

 

sobre carne que incite a larva

desce sua inútil lágrima.

 

(Luar salobre como língua

de mar lambendo rios (Jorge de Lima).

Em lesbos bebo Safo.

Em Atenas copulo com Platão.

No cais lasso dores

e gemas te esperam.

Água inacabada ainda

a umidade do sopro de Deus.

Que turva inquietação nas aves puras

consegue transformá-las em rapinas?

O curso ininterrupto das estrelas

vai ao coração arruinado de Jorge de Lima.

 

Lentas mãos corpo contemplam

apegadas que são aos dedos das dores

 

cofiam o futuro do rosto

impregnam-se de volúpia e derrota

 

tocam o incontido, usam a lassa

capacidade de criar engenhos

 

a capacidade de ser para

garantir a insobrevivência do mundo.

 

Sal da eternidade aspirjo

no ventre profano da terra

do beijo da água com fogo

extasio a verdade do mundo

 

alimento minha palavra

com o pássaro estagnado da usura

 

creio no voo coagulado

e na semovente luxúria.

Entre o que estagna

e o que flui o poema

entre o que rasteja

e o que revoa a palavra

entre o transitório e o contingente

a prosa

 

entre o que é eterno e infinito

o verbo.

 

A morada da palavra é de barro.

A residência do poeta o poema.

 

O que permanece apodrece.

O que muda e não cessa a poesia.

As noite do sangue são amadas

o zelo do gozo as ressalva.

 

Multiplica o brilho resmas do sémen

coadas pelo púbis das galáxias adjacentes ao gozo.

 

O desejo lunar é como um pássaro crescente

na linha amarela do horizonte pousado.

 

O meu é como água noturna

que se ombreia com a primeira represa

 

da primavera e desata

quando não cessa a amada.

 

Golfa no vitral do meio-dia

e se derrama inutilmente

 

da óssea manhã na bacia

do sedento poente (o desejo).

A ânsia (como noite sangrando

e desejo branco)

é azul e premia

os músculos do fervor

abandonado do corpo

como delírio ou maçã.

 

( A sede que escande horizonte

dedico o insaciável poema).

 

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