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CONFISSÃO ALTERIDIDÁTICA PDF Versão para impressão Enviar por E-mail
Escrito por Administrator   
Quarta, 11 Outubro 2017 00:23

Sinto-me causado por elementos sem corpo, ar

de que o devoto e sôfrego fogo necessitar

para fender a pedra chama líquida

varre a terra, desola a alma, figa infinita

 

- sombra de mostarda fuga para o éden renato

 

Olho as páginas de um ventre escrito

estrelas entreabertas são os olhos arcanos

aos joelhos das palavras me devoto, acato

o mar estremecendo em minhas mãos escuras

 

- mapas crivados nas linhas do precipício do rosto

 

Jardim podado, mudo, perdido

em suas cores fúteis, adjetivas

fúteis adjetivos corroendo o poema

moenda de palavras, pó imagético, acústico

 

- escanhoando o mundo humano como pilão divino

 

Vozes podam o íntimo

como se fossem foices instantâneas

punhais transitórios como o dilúvio ou bacias

de esperanças perigosas que nos acossam

 

- seguindo os instantes chegamos ao impulso (ou impasse)

 

Percorro o ventre letra a letra com volúpia

e encontro-me nos braços de outra morte

que me lê, verbo terno, ávido, finito

como a fome ou o comício, como a foice ou o ofício

 

- os matches, as comendas, o intestino acre do triunfo

 

Tudo o que seja degredo e manhã humilho

acácia e aurora são desperdícios

o nome íntimo da dor é o sacrifício

a verdade fulgura nas bandeiras derrotadas do instinto

 

- nada mais alimenta o homem do que a palavra imprecisa

de que o espírito se vale para ser indício.

 

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