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PIEDADE BOVINA PDF Versão para impressão Enviar por E-mail
Escrito por Administrator   
Quarta, 11 Outubro 2017 00:27

a Gerardo de Mello Mourão

Do acre umbral do matadouro (de olores escuros, pútridos)

ossos condecoram visitantes

(sedentos dos lumes curvos das estagnadas jugulares

dos suspensos gemidos, órfãos do livor coagulado da hora)

vísceras amontoadas em mudos tanques ásperos

ensinam a vida, a bôveda dolorosa

músculos adormecidos (em zênite agônico colhidos)

reverberam nos pastos oníricos de brilhos sublevados

nostalgia de touros metafóricos agoniza

e rastros de sangue do átrio mortal

(pinturas antárticas, aquarelas de Dali iluminando

o vítreo mundo, à sombra do abate das criaturas, usuras amaras)

espancam nossas almas (do poeta e leitores)

cestos de gritos (embalsamados ou vivos)

pendem dos ganchos frios

bacias de olhos bovinos

emudecem a sede dos visitantes

(e agrilhoam de sangue seus espíritos)

os açougues da vida impregnados de dor (e odor vermelho)

as paredes da alma retalham o boi comendo ração abstrata

os triunfos da pele agasalham o linho de sangue

as pálpebras petrificadas inoculam temor inaudito

as suítes do couro apedrejam o silêncio da placenta

o tamborim da eternidade cessa

e ao seu cantochão na sala do abatedouro de prata e lodo puro.

 

 

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