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MEDITAÇÃO DE PEDRA PDF Versão para impressão Enviar por E-mail
Escrito por Administrator   
Quarta, 11 Outubro 2017 00:28

a Saint-John Perse

das cinzas do triunfo eu me lembro

(e do crematório dos feitos e das vezes)

a aridez tomando o coração (cratera árida e nua)

chagas ascendendo à alma

(transcendência cinzenta a ocupava)

dores se multiplicavam como frutos infecundos

quando a árvore do bem se abatia

enquanto pedras gargalhavam

e os andaimes do paraíso hesitavam

as primeiras folhas da Bíblia se negavam (aos futuros discípulos)

e à sombra das palavras fardos brotavam como intestinos brancos

da sintaxe edênica se acumulavam engenhos

sobre os ombros podres do poema o peso da gramática

vasilhas com sangue de heróis escureciam

árido silêncio imperava

sobre as clavículas úmidas do tempo

sepultavam-se os gritos.

 

(Ao poeta pertence

a honra e a glória

-        e não ao príncipe).

 

 

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