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EPIGRAMAS COM FIGURAS PDF Versão para impressão Enviar por E-mail
Escrito por Administrator   
Terça, 05 Dezembro 2017 22:43

Vi Anaxímenes ébrio

do hálito da natureza afirmando

que ser é éter

que montanhas trácias sonegam

sol a mortais olhos dos homens.

 

(E que sombras amaduram

o silêncio da consciência).

Vi Descartes triste e enduvidado

cobrando dádivas do seu passado

buscando de cada alento ou orgasmo

suprema chave que abra

cofres do ceticismo mais ácido.

Vi Hagel dobrando

a esquina da metafísica

nas espumas do ser perdido

sobrançando maços de contradições

a espírito humano ensinando

o sentido do absoluto.

 

Numa manhã alemã

vi Hegel já longevo

à beira do eterno

bebendo dos profundos cálices

tragos de absoluto.

Vi Sócrates da hélade luz embuçado

de sua cela irônica desfrutando a cor

do honor do pudor púbico

das imortais virtudes da cicuta atado

a efebos e

à ébria ambrosia dos deuses

filtro da civilização grega.

Vi Sócrates inconstante

a ver o eterno

a cada instante

devassando a juventude ática

seus sonhos ineptos reprovando.

 

(Senti as garras agudas da cicutas se armando

do cruel líquido borbulhando dor

do seu intestino e lento anelo vi

políticos esculpindo a culpa

e o remorso entrando na história),

Vi Berkeley cismando ensimesmado

sobre o próprio eu supremo debruçado

possuído do solipsismo mais sarcástico

sozinho entranhadamente enclausurado

do âmbito de seu ser fantástico.

E único.

Vi Tales afogando-se de primeira água

olhos de estrelas cheios

caindo no poço de seu desejo

sombra dos monumentos medindo

a perscrutar os gregos eclipses nus

de seu tugúrio da Ásia Menor a céu aberto

o caminho único do conhecimento

de nós mesmo buscando

a gritar tudo é água, água, água e infinito

canto que Sócrates trilhou

com a suprema sapiência

que a foice da cicuta desfez.

 

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