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DO NOVO LIVRO A SORRELFA OU SOMBRA DE DÚVIDAS DE VCA PDF Versão para impressão Enviar por E-mail
Escrito por Administrator   
Segunda, 08 Janeiro 2018 22:12

Sonhei um rio esquecido

de margens réprobas

atravessado de talvezes

e adeuses loucos.

E abri meu pântano íntimo

à incúria de meu pensamento torvo.

E senti: infelizes para sempre

os poetas absolutos, posto que (amiga)

a tensão plena do absoluto poema

enfermiza o espírito ordeiro do mundo

o absoluto verso é verme de remorso

(que corrói como rato), obscuro signo

torpe verbo que engana barro, ilude

todo sentimento, alonga dor desconhecida.

Cavaleiros... primeiros...

não é rima... pois o grito é impuro

como o ouro do silêncio

ou ossos de hóstia, ou hostes desonestas de anjos.

 

 

Então... poesiAbsoluta não é...

não é deformação do verso.

Nem ordenação do mundo

beleza fácil de ritmos edulcorosos...

é deflação de sentido

não inflação de piedade e sentimento.

Eis que o sonho à sorrelfa obsedia

e eis-me à beira da ínfera laguna

solitária acossado de perdições.

Assim, ebuliça o sangue irado

no entorno do coração

pois a ira avermelha a vida...

veias incham como mortas carnes

intumesce a cólera estrangulada

como víbora ou ebola

irado rubor toma o rosto

da face aflui o lodo (em icto)

o esgoto da fauce avança

pelo corpo presa da alma vândala.

Pálido torna-se o carmim

a ira incandesce estatuto do leitor

desse poema intestino e brutal

cólera ocupa alma amiga

tomba o sal do espírito

encurralado nas palavras (mau)ditas

só fumo se vê ao lado

da névoa viva do verbo enlouquecido

à lateral do rumor que brilha

no interior do verso

se acende a vida

sobre escuro vômito da aparência.

A ira é vermelha destra

a inveja branca cinza.

 

 

Romper concórdias e honrar

madeixas serpentuosas, pois, se

leitor óbvio não capta o oculto

sob véu do verso, não hesite... não

retire, não vede a veia poética

absoluta, interrompa torpe leitura.

 

Não perturbe nem instiga

aleto em repouso incansável

esta mãe dos maus pensamentos

não se increpe à ira vital

de Tisífone de más palavras

nem a tempestuosa megera

mãe do verbo acicate, delas

nascem as crueldades da poesia.

A virgens estéreis não oferte

falo que pulse em ritmo

de verso e senso

nada estranhos.

De ávidas dúvidas ensile o verso

ou conteneízere-se

das águas absolutas da poesia ouça

Aqueronte gerar da noite do verbo

as três filhas que urdem enganos

servas que são da soberba, aias

de Prosérpina rainha.

Busque – amiga da dor da poesia-loucura-lodo

que à poesia incita a esquecer Medusa

busque pois o logro das coisas sabidas

cesse-se... e em Euríale ache

a lata e exata profundidade

da loucura poética absoluta.

Fúrias soberbas e sensatas

do vértice da torre alta do verbo

esperam com o verme do remorso

no vaso aberto como veia

do poema irresoluto.

 

25.09.17