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FALHA NA RELVA PDF Versão para impressão Enviar por E-mail
Escrito por Administrator   
Segunda, 02 Abril 2018 22:03

(OU BEBEDOURO AGRÁRIO)

Abelhas se enturmam na parra

corroboram melodia de colmeia, mel de animal ternura

e laço melífluo criam nas fortalezas aceradas

com ameias curvas e soldos íngremes muralhas nuas

 

flor d’água ergue-se do jardim duma lágrima

enquanto no pátio ecoam cães latinos

e vozes desertas de rosas afegãs pendem dos lábios

da cidade dos jasmins embandeirada de tâmaras sangrentas

 

um dois três flibusteiros azuis invadem alcovas

roçam virgens severas amoras e pirateiam

honra dos duques com gestos baixos, obscenos ladros

 

a cada cota de luz resplendem almas

camaleões recolhem sol de suas malhas

matizados de luz prismática sob amarela couraça

e se adaptam tediosos e perfeitos

a suas dúvidas epidérmicas a seus nichos acadêmicos

 

cigarras apocalípticas residem nos resíduos das cascas

dos eucaliptos barítonos de Gravatá

oferecem aos livres prados belas laringes

teatros de suas orquestras inarmoriais

 

do silencioso manto do meio-dia abrem-se sinfonias inacabáveis

como champanhes de pássaros óperas de uma nota só que vento afine

e percorram teclado de tédio das tardes nordestinas

 

touros auríferos dirigem-se vagarosamente a vacas hipócritas

e mugem vaidades insidiosas ao longo das pegadas dos cactos

musculosos beija-flores instalam nas pálpebras das amapolas

suas hélices diáfanas, matizes cautelosos, velozes esôfagos

 

timbale dos rouxinóis é amarelo

seus metais vêm do sangue de Hélios

avícola turbina da crônida estirpe

criada da bigorna aurífera do inferno de cravo temperado

sob batuta do isócrono martelo de Hefestos

palavras desmaiam do peito do poeta em dor aberta

seis pássaros passeiam no abdome da rosa relativa

 

brusco jovem olha outono triste, sons verlanianos velam

ruidosos corpos amantes, esplêndida

paz que orgasmo empunha

e a pequena morte aloja-se sob lençóis satisfeitos

 

atros tonéis de tristeza derramando-se ricocheteiam

dos olhos minerais pela sede da visão atiçados

corroídos do rumor da bursátil tenda

onde impera memória de leilões lascivos

em que himens íntegros alcançaram

no auge das cotações senis

preços mais graves e dourados

lances mais rígidos ou crédulos

no viril oásis da óssea verdade

ou na bolsa mundana dos prazeres humanos

 

gotejam lascas do tempo por entre botijas de léguas ligeiras

 

sombras angulosas assomam

a pátios sonolentos e agrários

e acordes cercam o sono do verbo

 

hipocraticamente juro pela bíblia da verdade jugular

ajudar as mazelas do mundo

ao lado das sibilas, grifos, hipogrifos

esmeraldas obesas e balelas

 

diodo da manhã ecoa como chumbo em fuga

cobre da tarde enterra-se no meio-dia e selo

de uivo e lua estampa-se no corpo da noite

onde bronzes dormem sob peso dos sulfetos da sombra

ante torrentes de caudalosos relâmpagos luz

erótica se erige e herética estiola amantes

 

ante pedestal postam-se púbis egrégios escandidos pelo orvalho

e pelo sêmen dos recênviros percorrido

 

biombo de gueixas abalroa urgente paisagem

deixam seus unguentos em nossos rostos gratos

taciturna madrugada esculpe de madrepérolas cúbicas

pratica vultos, sonega brilhos abruptos, quebra orquídeas súbitas

(lua leitosa derrama úbere sobre

soberbo coração de algum homem

e via crucis do sangue devassa

mundo sagrado das causas)

 

sensação de musgo alitera sulfúrico forno da avenida

cor de âmbito oral apunhala arbusto, demole meio-dia

tudo insurge-se contra o que ressurge, vanádio vela o espírito, atanor chora

lágrimas de gusa assaltam abelhas, lances de búzios suspendem ocasos

Deus emociona-se com o caos criador, cruz quântica

ou semiótica de Sua lavra

 

Sua lágrima acende coivaras turvas, despedaça alvoradas

e limbos onde silêncio se recolhia monacal e dúbio

apura lagares, dissolve arenas e em haréns aloja verdade jóia impune

 

Sua presença antecede a hangares escuros

veio antes do segundo, enternece ouro e sombra

acalenta lamentos obscuros, supura curvos uivos

suprime evos ístimos, pecados duradouros, ilhas dissolutas

acalanta tulipas, capítulos e tratados organolépticos

que flamejam nos jardins góticos floridos de arcos e touros estocásticos

entre pétalas e avencas cínicas

 

ávida a vida se divide em dádivas noturnas, idas e vindas a Saturno

árduos convescotes em Marte, folias loucas de Vênus

vida se resume a desenganos, silos de incerteza, pústulas e estrelas

se divide em doses desiguais, lúbricos ângulos, épuras concupiscentes

e sutras terminais, cenas ríspidas e panos demorados como o desespero

mas multiplica hora e cismas de mim e da tribo

 

do acme das catedrais uivam florões magníficos

e célicas lágrimas espalmam

como leques áticos ou palmas solenes

como palmos de pedra ou naipes de copa

 

de vazios e infinitos é a vida diária tecida

com agulhas lentas do orgulho da criatura

de não ser e ter sido fruto de tramas profundas

 

(e traumas sem nome, sonhos de Freud)

 

de palheiros íngremes como seios róseos ou aurora em viço

é forjada a vida a cada ímpeto ou pausa definitiva

 

de imenso ilumino o mínimo de sombras a mais

e do rastro de bisões faço meu percurso arcaico

lentamente noturno pela alma do mundo

peregrino do absurdo, do ignoto último assecla

 

pomos cordatos, sais indecisos, sinais mortos, tropos

tempo com que não me mutilo mas me ultimo

de cujos vasos cônicos extraio

luz líquida, sêmen alvo, cúbico

com que não me atrevo de iluminar-me, muro

e multiplico horas e sismos de mim mesmo

a esmo e síncrono poluo populações do tímpano

 

com poema rendo desafios

arranco fórceps escuros

preparo trevas puras

abstrato alumbro com espectral candura

extirpo claridades sem dentes

peçonha dos axiomas lapido

escleroso lógica diária

signos podres apunha-lo

extirpo os rins do infinito, centuplico

leviandades e remorsos

civilidades daninhas deturpo

nexos do sim abomino

perscruto o trono da relva

nutro de ervas sumos ímpios

petúnias suprimo

pelo bem da poesia.

 

 

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