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TREVA E MANHÃ PDF Versão para impressão Enviar por E-mail
Escrito por Administrator   
Segunda, 09 Abril 2018 23:20

às dádivas do esquecimento

à víscera dos atanores

ao fígado dos arúspices


a pedras e abutres do Cáucaso

Tigres se asilam no poente

azuis empalidecem ante fremir

das mandíbulas do arco-íris.

 

Especulo o id dos abismos

em mim dádivas mortas inoculo.

 

Na tarde ébrios outubros cambaleiam

dolorosamente novembros se insinuam

 

vestidos de épuras impuras enquanto

manhãs e rouxinóis duelam.

 

O que alicerça a noite não é a sombra

mas o homem e sua obra diurna e insana.

 

Meandros bebem dos alambiques das nuvens

além dos limbos úmidos e das navalhas líquidas.

 

 

“Com o fruto se funde o prazer

como delicia seu desaparecer

numa boca onde se perde sua forma

respiro aqui minha futura sombra”

 

Valéry, de Le cimetière Marin

 

Na clavícula do orvalho

madrugada deposita gota de treva líquida

 

 

grão de amanhecer em mim circula

veia venenosa o fecunda.

 

 

Treva às vezes é dádiva

dor única certeza do mundo.

 

 

Manhãs estagnadas restaram

dos teus olhos de vazios azuis.

 

 

Entre dobras da madrugada

auroras preparam

 

 

espéculos de luz infeccionada

partículas de ondas cegas exaustas.

 

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