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DÍVIDA DANTESCA PDF Versão para impressão Enviar por E-mail
Escrito por Administrator   
Segunda, 09 Abril 2018 23:37

(Virgílio abandonado

como Enéias a Dido)

Dante despreza guia que lhe ensinara

árduos caminhos e intrincados cipoais

do purgatório e do inferno e levou-o

para os umbrais ubertosos (mas metálicos

e estridentes) do éden (que Deus banhou

de lauto ouro e sais de luz além de orvalho doce)

Dante vai-se atrás de Beatriz pelos vãos

ébrios do impotente paraíso abandonando Virgílio

afundado no limbo.

 

PS.  Dante abandonou Virgílio

no canto XXVIII (umbral do paraíso)

 

Perdido num cipoal de pesadelos (os ósseos

juncos do rosto ajoelhados no dorso escuro)

dentro do pântano do sono manto ímpio imerso

nas peras do temor romano pelos cegos (e sinuosos)

metais do sonho enlaçado doce óxido cercando

ego desmesurado grotesco como assombro

ele toca trêmula bacia bojo do horror

nua sede da alma só a companhia indefesa

de luas vazias e o ermo desejo triunfando

da carne inexpugnável (a que o espírito não tem

acesso ou presença que não seja a indecência

da ausência da rosa que buquês esqueceram).

“Ó deuses, quantas cativadoras

delícias há no homem.”  Cernuda

 

“Muda e em sombra parece

a Quimera retrair-se

à noite ancestral do caos primeiro.”

L. Cernuda

 

 

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