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POESIA: LOUCURA DAS PALAVRAS PDF Versão para impressão Enviar por E-mail
Escrito por Administrator   
Quinta, 12 Abril 2018 19:18

Poesia como expressão da ambiguidade essencial das coisas: conceito que o moderno legou à modernidade.

Expressão subjetiva, a lírica moderna tende, como o têm observado tanto Roman Jakobson quanto I. A. Richards ou Empson, à ambiguidade, que é rica quando significa que o poeta ou a obra de arte valorizam-se pela ação hermenêutica (pela condição de obra aberta, vide Eco).

Ambiguidade poética não é anarquia, caos, mas sinônimo de polissemias, de possibilidades de múltipla significação, multiplicação da potência do signo.

O poeta não participa da responsabilidade de significar nada, que cabe toda ao leitor, ao interpretar o poema, a seu modo e gosto. É a busca hermenêutica do poema a aventura (e o prazer) do leitor.

. O fraque do anfitrião é severo

. Tarde embutida no tornozelo dos cães.

. Noite escondida dos tanques das rãs.

Obra de arte: carrefur de entrelinguagens

acaso de engrenagens, límpido que exorbita

extravasamento de alicates imaginários

aperfeiçoamento de rebites e simulacros

sonância de palavras estrangulando objetos (ou cavalos)

estrídulo de verbos, alegria de esgotos abarrotados de sentidos sujos

. sarjetas do verbo em triunfo definitivo.

 

Rubro sangue de emoção fruto

. da palavra pranto e coração.

(o lado torpe do lírio

é um lado novo e apto à poesia.

Manoel de Barros)

POESIA: LOUCURA DAS PALAVRAS

 

Ela ouvia aromas vermelhos

gritando da boca do éter

nos pianos côncavos do céu

tocando abril no trombone da pálpebra

(tuba canora, violino de vespa)

por varas e comarcas ressoando

bebendo o róseo silêncio das pétalas

a salmodiar partículas de preces

recolhidas do adro amaro da alma

entre pulcras películas cobrindo

o púlpito do tímpano (harpa ladrando)

galope a estribo e martelo batido

acossado por ímpios sinos ósseos

sinuosos como sonoras cátedras

de narinas brancas avermelhando-se

(a cosmética da aurora chegando

pós rubros, cremes álvaros reinando

e máscaras cremosas assaltando

o páramo do rosto (o desejo)

da imortalidade facial plena

juventude eterna do capital

(o sonho da produção mundial

todo o produto cosmético bruto

a reluzir nos balanços da náusea).

 

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