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VIDA DOS OLHOS (HINO DE FUGA) PDF Versão para impressão Enviar por E-mail
Escrito por Administrator   
Quinta, 10 Maio 2018 22:31

Como lume e sal olhar sega a pele

retalha sol navalha a fio

manhã seivando ainda o arredor

(de pássaros encaracolados no fio do canto

voo esculpido da alma do barro

ária da veia abrindo sonatas do sangue

sino rural peito de campânulas abrindo

pétalas de som voando entre taças de flor)

velho sortilégio da vida impondo à pedra

privilégio do hino, virgem círio

iluminando o hímen, estame acúleo

ótico urdume do meio do amanhecer

imersa bacia onde trêmulo carmim

corrompe a íris do meio-dia

selvagens azuis e azeites ermos

(que o silêncio açula)

a velhas lágrimas do poema aludem

(enquanto o parto das rosas escoa

pelos caules tristes, pelo cerne vivo

– e cardos da comunhão.

Dois vícios brotando de altares escuros

seivas e lumes pousando no delírio de antúrios

horda de andorinhas descendo sobre o mundo

eternidades vazias flutuando no espaço púbico

que o infinito delimita dentre sucessivos cios

gôndolas dos relógios moles do mundo

a Dali assediando, salas de um tempo mágico

encenando o futuro – e as dores que virão

verbo espúrio aviltado revoltando

a veia do poema pendulando inteira

entre ressurreição do lodo e escombros nus dilema

(que navega ente o que é e o que não foi)

eco que eco cega, cal que uiva, puro muro

florescendo entre palavras (e dentes de sílabas famintas)

que dormem na boca inconsciente dos homens.

 

 

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