Murilo Gun

Admmauro Gomes

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Escrito por Administrator   
Quinta, 10 Maio 2018 22:36

(aos filhos Cláudio Netto e Murillo Gun)

Sete poemas para o neto (ainda no útero do futuro)

longe da dor do real, da angústia viva

distante ainda dos percalços e das lacunas

dos emolumentos da culpa incire

da indigna realidade distante ainda.

 

Feto e uivo, urdume e lampejo, oração e usura

hino e tâmara, vinho e gema, claridade nua

tudo do extraviado fóssil do futuro trago

à luz desse labirinto esgotado, eneágono ponteagudo.

 

Bisão rigoroso paste o silo ávido do horizonte

cardume de sombras embriague páramo inocente.

Bosque doloso (irresponsável ante o homem, seu senhor

que conserva com virulência seus pássaros e ramagens).

 

Silêncio virulento apressado rumor rompe

(e cálido grito corrompe).

Da borda da entranha medito, perscruto

a têmpora do poema, o sacrifício.

O poeta desce os úmidos degraus da palavra

(escorregadia, sentida, teatral, adjetiva)

segue a escada onde terminava o anjo

aproxima fontes, toma partido do lume baldio

e das facções das coisas (que o escuro do mundo não perdoa)

à borda respirável ainda recosta o rosto desesperado (cinza)

e antes de encarar o poema olha a beira do abismo, brilha

a borda do relâmpago que respira fagulhas.

 

(relâmpago que o poeta sonega

à alegria da claridade do poema).