Murilo Gun

Admmauro Gomes

Quem está online

Temos 10 visitantes em linha

Assista

Siga-nos



OLHOS DO ABISMO PDF Versão para impressão Enviar por E-mail
Escrito por Administrator   
Quinta, 10 Maio 2018 22:39

(luz do poço, sala

de (mal) estar da alma

falso aposento de anjo

vereda do abandono)

 

(A verdade está no poema. Dele provém

o escuro necessário. (Ração de treva para alento dos dias).

Ele é o lavabo do espírito, pia

onde o id se lava todo dia).

A claridade vem do abismo

brota do rosto mais escuro

se afunda no olho

do esgoto vem a luz

líquida, suja, viva.

 

do poço nascem estrelas

(que Tales colheu com os pés)

Deus é subterrâneo

(abismal Seu olhar

ctônica Sua face – tão sonegada

enterrado o alento

como espelho fluindo)

o céu ilusão côncava

paradoxo de cera

artifício do mal

miragem sem ventre

dom do aborto cósmico

represa o amor

a água do alto

levante esmagado

abôbada de ar o céu

morada da sombra

(disfarçada de branco)

 

folha sedenta o céu

prata queimada

dádiva vazia

espora do temor o céu

páramo de nuvem vadia

cova da alba

cínico e lento fantasma

longo, curvo, adjetivo

povoando nossas crenças, alicerce

das utopias do espírito

reflexo branco da lama terrena.

PS.

A reiteração da aurora fatiga a alma humana

(que se nutre do escuro incêndio).

A alma ainda é humana?

 

Comentar


Código de segurança
Actualizar