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URDUME DE NENÚFAR PDF Versão para impressão Enviar por E-mail
Escrito por Administrator   
Segunda, 14 Maio 2018 18:49

Pão ázimo para rei luzente

de abstrato cetro e trono adunco.

Sal para sede dourada das bestas

arcas de delírio para noite sem compaixão.

 

Eis que trevas te habita juntas

com manada de vassalos escuros

 

cercada por legiões de cinzentos asseclas

e servidores sujos de nojo puro.

 

Hóstia do púbis beirando o sal bebo

da cacimba do umbigo com macia volúpia de seda.

 

Cerimônia de prata na bênção da abundância

lenha beduína para alimento do oásis de chamas.

 

Anjos moribundos pendem

de enfermas cornijas do Purgatório.

 

Invernosos labirintos de tigres inomináveis

espelhando em seus nichos anavalhados rígidas e austeras

mandíbulas rosadas nos corredores iníquos e cegos

muros impotentes cujas escuros alicerces são tão

afiados como as lâminas da lua ou espadas vivas

como fios de alfanjes sem data

ou estolas de opala lenta.

 

Livro abominável com que rastreei as pegadas

de Deus nos prados do éden. Para alcançar ou surpreender

o paraíso preciso é rastejar por nichos secretos

e obter provisões de magia e hipnóticos sensos

além de menstruar visões em locas concêntricas

ultrapassando cones e cilindros lentos

arrojando ouro dos vis emolumentos dos homens

nas rotas peregrinas esquecidas de rastros ilusórios.

Até que se alcance a página eterna

de areia deserta e letra infinita onde

indelevelmente impressa esteja o único rastro

que Deus deixou na terra que criou

com Seu suor e face cansada.

E não será rio nem tempo

se não refletir a lua

que junto ao ribeiro contempla

a água, o destino, a rua que virá

o olhar que não se redimirá

a ovelha, a navalha, o carneiro, o cutelo

e a vaidade de ser cristal forjado

luz fracionária, certidão de êxtase

enobrecer brusco da vida

luar cristalizando-se das pegadas

de Deus na argila do ser.

 

Do orvalho teu olhar ecoa como relva

ou cósmico pentelho

tu és onde as águas do lago lua reflete seu olhar (lunar)

baluarte do jade que surge

cinge e unge de macio brilho o leito

dos olhos que a cópula premia (à espera

de que o sal levante a vida nua puríssima

da sede do êxtase tecida com sêmen e mel indomáveis).

 

Fragmento de luar, luz fractal, quase corsária

e visão a despencar do cosmo a tudo quase

impregnando do branco fluente, sílaba lua

que a cada fenda leve orvalho sorve

que a cada luz rã brilho salta da água irmã

da romã e a coxa do tempo se abre

como mulher em que o gozo ecoa na carne

da hora e submete o espírito à volúpia inteira

porque és água diamante (pedra e ser

de cintilante duração e querer sentir)

porque és luz da gema quase eterna ou extinta

sílaba telúrica, louvor e cova

terra da unção do sêmen, cidadela do linho

dos velhos pentelhos da vida tecida.

 

 

Os cristais úmidos ou ébrios do luar em ti capto

e eco do brilho nu apanho e consolo.

 

A escada de jade dos anjos ávida

e o manto de fino ouro turco parco.

 

De mármore de Paros o sorriso farto

como de Carrara a gargalhada longa.

 

Como a branca cor xamã

vermelho da liberdade.

 

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