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Escrito por Administrator   
Terça, 12 Junho 2018 23:18

O ânimo de não ser ou de não ter sido

sempre eu faz jorrar festas de mim

dá-me um nômade impulso de ir

em busca de infrutífera febre

(que se alimenta dos pântanos amarelos do ser

e estimulo o bafio de viver).

Ouço agonizam de sílabas ao longo da linha

sonhando com nomes que não se firmarão.

 

Vergônteas e asfódelos idolatro

amo orquídeas mortas

admiro papoulas dilapidadas

porque sou poeta, absolutamente poeta.

 

Minha aspereza é vital, glorífica

nada retilínea, isto é, curva como uma bissetriz

roxa.

 

Inacantonado é ímpio como serpente persa

é meu id (vital).

 

Eu, século, logo sacrílego idolatra

a minha neta valente, aos cegos do futuro

incriadores por natureza destino o tempo.

A trégua, o hino, a hávea, o anelo

deixo-os aos pôsteres já mortos

(por que não serão poetas absolutos).

 

O ver tigres é meu último ato.

 

Ignóbil e magnífico espírito fui

a despeito do detrito da glória

não ter me acometido.

Porém, não fui estranho ao mundo.

Nem ao humano.

 

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