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ILUMINURAS LITERÁRIAS PDF Versão para impressão Enviar por E-mail
Escrito por Administrator   
Segunda, 10 Junho 2013 18:05

(Notas de um leitor fiel)

 

Por VITAL CORRÊA DE ARAÚJO

“Primeiro encontrar, buscar depois”. Jean Cocteau.

Magníficos a atitude, o programa de vida, a visão existencial contidos nesta síntese de Cocteau.

A volúpia reside no estado ou na construção? Para o autor de BACCHUS, vale mais o dado do q

 

ue o adquirido. E a prioridade é a do êxtase. Não há dúvida de que a prática é mais importante do que a teoria, porque é fundadora e integra e condição humana, mesmo a determina, estruturalmente. É lógico que o método não deve vir depois, mas é secundário e instrumental. A picareta serve para provar que a pepita existe, mas o veio deve vir direto ao olho do homem. O buril serve para provar que no mármore existe o que o artista sentiu com sua mão e seu coração. O espelho serve para justificar a existência da face e nunca para fundá-la, a não ser os espelhos argentinos do mundo e da vida derivados, pelo fabril artesão de tramas e febril industrial de imagens, Jorge Luís Borges, imaginados. Resgatar a pepita do caos mineral é antes um encontro que uma busca, porque é um dever inscrito na natureza humana, do mesmo modo que o é o achar a forma que mora no mármore e a face que, em última instância, habita todos os espelhos, ou o rosto escondido na máscara.

 

 

 

§

 

Não há vagas para homens. Há vagas para máquinas.

 

 

§

 

No  início, foi a petição: criação burocrática.

 

 

§

 

“A juventude não necessita de ilusões”. Camus.

 

§

 

Le Corbusier, em 1939, condensava em pequenas frases o revolucionário conceito sobre as formas arquitetônicas e o fim ou a permanência das obras humanas.

“O que perdura nas empresas humanas não é o que serve, mas o que comove”.

“A arquitetura é o jogo sábio e magnífico das formas sob a luz”.

 

 

 

§

 

Para Júlia Kristeva, uma das principais tecnocratas da lingüística moderna, a linguagem poética não é um sub-código, em confronto com o código lingüístico, nem também é um super-código. Segundo ela, “a linguagem poética é abertura para o infinito, ordenada em sistema complementar de códigos, onde a fala opera em liberdade, num espaço lingüístico definido”. Certo!

 

 

§

 

A exigência de homogeneidade, em um livro de poesia – e que o embala estruturalmente – deve ser de conteúdo e não de forma.

 

 

§

 

O leitor apressado – ou o não leitor – perdeu o prazer de ler, o prazer gratuito do texto, a que se refere Roland Barthes.

 

 

§

 

Ritmos severos habitam o fruto.

 

 

§

 

“O caramujo suspira

e estonteado se afasta

cheio de confusão

pelo eterno”.

Lorca

 

 

§

 

Livre do peso ou do vício do sentido

e do hábito da lógica

ou da doença cartesiana da ordem

a poesia irradia magia

êxtase e sortilégio.

 

 

§

 

Sem a dimensão do futuro

o tempo perde o sentido.

O futuro é a condição do tempo

seu alvo, destino e porto.

 

 

§

 

“No mar tanta tormenta e tanto dano,

tantas vezes a morte apercebida;

na terra, tanta guerra, tanto engano,

tanta necessidade aborrecida,

onde pode acolher-se o fraco humano,

onde terá segura a curta vida,

que não se arme e se indigne o céu sereno

contra um bicho de terra tão pequeno.”

 

Camões

 

 

§

 

“Tudo o que não procede de uma convicção,

é pecado”.

Paulo, Epístola aos Romanos.

 

 

§

 

O futuro é substância

ou alma do tempo.

Sua seiva

são as horas.

 

 

§

 

O herói dura

o tempo da queda.

 

 

§

 

“Teu vasto coração, Pablo Neruda,

era um país soprado pelos ventos

do mar e pela insônia carrancuda

da alma milenar dos elementos.”

Francisco Carvalho

 

§

 

“Ó liberdade, brancura do relâmpago.”

Natália Correia

 

 

 

 

 

 

§

 

“É vão aos deuses pedir

o que pode o homem

por si só adquirir.”

Epicuro

 

 

§

 

Os mortos dormem, subterrâneos,

sob mármores e pátinas.

 

Vindos da solidão das entranhas

vão à dissolução:

estranho país imóvel.

 

Cravos e lápides ornam

suas carnes pútridas

incomensuráveis.

 

 

§

 

Sete luas portugueses açulam

os cães do céu.

 

 

§

 

A multidão é uma mentira.

 

 

§

 

”E logo meus olhos pintaram

um mundo nascendo

entre águas e íris, adivinhando

o mastro liso dos fustes

a gávea sob rodas

as retrancas, as vergas

e os véus de cipó.”

Perse

 

 

 

§

 

“Raio de sol entre dois líquidos diamantes

e a lua a fruir dos trigais obstinados.”

Tradução livre de um dístico de Éluard.

§

 

“Mais um verão, mais um outono, ó Parcas,

para amadurecimento do meu canto,

peço me concedais. Então, saciado

da grega sede, meu oração estanque.”

Hölderlin (fragmento)

§

 

”Vanguarda, hoje, é usar de todos os meios para destruir o pretexto de que a poesia é algo de inefável ou transcedente; é manifestar revolta contra tudo o que o mundo atual quer eternizar, mas é, sobretudo, libertar a linguagem das correlações lógicas e semânticas que retratam a falsidade social e moral”.

Jorge de Sena (Um dos maiores poetas lusos do sec. 20).

 

 

§

 

A poesia deve ser inovação permanente, sem desprezo do legado dos grandes poetas, desde Homero, ou antes; expressão sempre renovável sob pressão constante da alta voltagem da linguagem plena de plurisignificados, sob pena de não passar de prosa em traje de gala. A propósito de Cocteau.

 

 

§

 

É preciso dar carta branca à imaginação. E não temer o resultado poético. Sob pena de não ser. Poeta e gente. Vida e mundo.

 

 

§

 

Gide ou o Desejo. Sartre ou a Esperança Camus ou o Absurdo. Marx ou o Futuro.

 

 

§

 

“Tudo o que possui a magia do vidro detém também a sua fragilidade” Sartre.

 

 

§

 

“A juventude não necessita de ilusões”. Camus

 

 

 

 

 

§

 

“As idéias não são para ser pensadas, mas vividas” Malraux. Esta afirmação do autor admirável de A Condição Humana marca a fronteira entre a ficção e a vida. A ficção deve ser também um ato político, pois o escritor é um homem vivo e de idéias vivas.

 

 

§

 

O mais admirável do fantástico é que ele deixou de existir como fantástico: agora, tudo é realidade. De Breton, ao sentir como as pessoas, o mundo, as coisas eram surrealistas, e não sabiam.

 

§

 

Se queres ser filósofo, escrevas uma novela.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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