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INVERSÃO (NO LEITOR) NA RECEPÇÃO PDF Versão para impressão Enviar por E-mail
Escrito por Administrator   
Segunda, 10 Junho 2013 18:20

ao leitor futuro da poesia absoluta

aos leitores presentes (presenciais)

da FAMASUL: a universidade da

poesia absoluta.

 

É preciso investir (inversão real e concreta) na recepção da obra poética neoposmoderna. Preparar o leitor bem. Assediá-lo sempre. Militar nesse futuro leitor. Fazer o trabalho de alistá-lo nas hostes velozes e promissoras da poesia absoluta. No âmbito de um processo aberto de proselitismo (largo e insistente).

 

 

 

Até que se estabeleça um certo horizonte de expectativa no leitor. E a expectação mire os poemários(em livros e revistas que publicam poemas absolutos e sua neoteoria).

Expectante do novo e difícil, complexo e diferente (meio delirante)modo de sensibilidade poética para fazer o novo, trazer novidade ao poema (há mais de 70 anos reduzido aos escombros da revolução vinteedoiseana.De 1922. E sepultada em data ficta mas simbólica 1945). Aclarar um pouco esses aparentes íngremes caminhos, essas rotas rotas, ainda a se domesticar e mesmo edificar. Figure-se que se opta pelo foro de universalização do sentido (livre como um pássaro num céu de condor) e não por mera regionalidade (nordestinística). A nordestinalidade toda ariana, excepcional e especial em toda poética Cabral, Ascenso, Mauro Mota, Ariano, Cardozo e Marcus Accioly, e por estes já esgotada – este último também enveredou pela épica lírica – e foi bem.

A invenção de forças de claridade, em meio a essa selva selvaggia imagética e exegética que a poesia absoluta convoca, é tal que começa pela edificação do leitor imaginário, ainda, distante, meio invisível, mas capaz de presentificar-se, logo, ou, usando termo mais corrente, presencializar-se. Passível de representar-se.

Um tal leitor que encare a complexitude (com fair play) de um mundo de leitura hostil, cacto de palavras, cardos verbais espinhentos. Em que ele (esse leitor renhido, ousado, consciente) se perca nesse universo absoluto e meio ermo, mas trate de construir sua porta de entrada plena e saída eficaz.

Que o leitor (receptivo que seja) se sinta atraído a incorrer e percorrer esse mundo hermenêutico novo, atraído, imanemente (de ímã) a adentrar o labirinto de si mesmo projetado no poema absoluto de outro que ele faz seu, por ser organicamente um leitor possível, passível de devorar qualquer minotauro e abater esfinges de sentidos, que se lhes apresentem como obstáculos a sua odisseia pessoal de leitura adulta e contemporânea de seu tempo.

E que essa leitura (e todas as inúmeras) do poema neoposmoderno signifique, rimbaldinamente, deparar-se com a loucura da palavra em riste e nua (o verbo delirante autêntico barro da criação poética). O chamamento de Rimbaud “até o desregramento de todos os sentidos, como limite último da poesia, não se referia aos sentidos orgânicos (somente, como é interpretado), isto é, tato, paladar, visão, audição, olfato, porém aos sentidos (textuais) literários, do poema, criados pela imaginação poética – e nunca sentidos físicos. Esta é a primeira vez que exponho, por escrito (já a verbalizo, discurso-a, há anos) a teoria vital de que Rimbaud, no citado, recitado e famoso ditame, estava se referindo ao desregramento, isto é, inexatidão, poliexpressão, vário significado, delírio das palavras no poema (e na página, sítios adequados a tal loucura). Ao dizer tal afirmava que o poema provoca (e tem por obrigação tal) não a univocidade (a exatidão de um só e mesmo sentido), mas a equivocidade absoluta, uma verdadeira explosão exegética e uma exata desregra quanto ao que porventura signifique esse objeto de palavras, essa construção verbal. Segundo o mesmo artista absoluto da palavra (Arthur Rimbaud), seu poema pode (e deve) ser lido e entendido, “no sentido literal e em todos os outros sentidos possíveis e imagináveis”, isto é, sem regra (ou certeza), sem a rigidez hermenêutica vigente de sentido único (claro, meridiano, insofismável).

E que os âmbitos ímpares do criador e seu contemplador abram-se, unam-se, disparismente se integrem (forma e significação, expressão e conteúdo). Expressão dada pelo poeta e significação ou conteúdo dada pelo leitor, ao habitar a poesia, pela forma em que ela se ofereca a quem a penetre pela leitura.

 

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