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MONÓSTICO VITAL PDF Versão para impressão Enviar por E-mail
Escrito por Administrator   
Terça, 03 Janeiro 2017 21:32

Desenvolvi, desde há 15 anos, o conceito da estrutura de uma forma poética, já existente teoricamente, taxionomicamente, como tal, porém não informada ou enformada, posto que se presume vazia, desde que não há prática do verso, tal como ela, esta forma, urdia.

Trata-se do monóstico, que se inclui na série ou espécie que vai até a décima. Dístico, terceto (terza rima, haicai), quarteto (Eliot e a nossa quadra), quinteto, sexteto, septeto, octeto, eneateto. No entanto, mesmo prevista como forma, monóstico não tinha ou não recebia substância.

 

Comecei, após uma denodada pesquisa, a compor monósticos. Antes, organizei três livros, coletânea de milhares de haicais, compondo um livro inédito, há 10 anos, Flauta de pássaro: uma flauta feita da matéria inefável pássaro e o som mavioso do pássaro em forma de flauta em ato.

São haicais heterodoxos. A influência dessa forma no poeta Osman Holanda Cavalcanti foi surpreendente. Ele internalizou e desenvolveu um estilo próprio, inovando o haicai, com temas agrestinos e sertanejos. O livro 88 (em forma de símbolo do infinito, oitos deitados) haicais nordestinantes é uma obra ímpar, pessoal, criativa ao máximo. Uma realização prodigiosa, incluindo haicais sensuais e irônicos, mesmo lascivos e mordazes.

Estruturei vários livros curtos de monósticos à medida que os compunha.

Cem ditames de amêndoa, Monósticos de carbono, 77 Monósticos de carbono, + 88 Monósticos de carbono. Fiz uma associação entre monóxido e monóstico.

Cheguei a organizar 999 monósticos vitais. Eram apenas exercícios. No entanto, agora, estou selecionando, dentre milhares que encontro em cadernos manuscritos bem ilegíveis ainda – e que tento tornar mais complexos – um livro com 105 monósticos: 150 páginas com sete cada e mais um.

É importante explicar que o monóstico é um poema de uma linha ou verso só, de sentido completo, autônomo, poema acabado. E não é monóstico uma estrofe de um verso ou ocupando uma linha de um poema. Acontece muito que, no conjunto de versos que compõe um poema surja um verso ocupando uma linha, no interior do poema. Nesse caso, não é monóstico, posto que se insira num poema de vários versos. E não é então poema completo de um só verso, ocupando uma linha ou uma página.

O título provisório (como meus poemas) do livro de monósticos é Mônadas, que já suporta uma compilação de monóstico... ou Átomos verbais.

A forma monóstico exige concisão máxima, face o escasso espaço de uma linha, na bitola do livro, para realizar, inserir, criar, estabelecer o poema.

A professora de física quântica, minha amiga Heloísa Flora Bastos, esposa do querido amigo arquiteto, Aristóteles Bastos, me disse que, na escala teórica de complexidade, o monóstico vai até a Síntese, penúltima escala cujo ápice é Avaliação.

Enfatizo a diferença entre estrofe de um só verso e monóstico. Este é um poema, digamos sem estrofação, posto ser composto por uma única linha. Geralmente, estrofe é a suposta parte de um poema, e o monóstico não tem parte, é ele mesmo o poema de sentido completo e acabado. Portanto, num poema, um verso de uma linha não é monóstico, é apenas uma estrofe, parte de um poema.

 

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