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CERNUDA VÍTIMA DO DESEJO (A REALIDADE VENCEU O DESEJO) PDF Versão para impressão Enviar por E-mail
Escrito por Administrator   
Terça, 03 Janeiro 2017 21:41

Cernuda foi presa fácil da consciência do desejo impossível, abandonando-se à aventura do corpo por desvãos sem rumo, tal como Kavafis às noites lascivas de Alexandria.

Até que Cernuda soubesse que a carícia era mentira (de seu verso em Prazeres proibidos), ele acreditava no amor. Depois, o desprezo se apossou dele, em Londres e no México, lugares em que pousou sua alma perdida nos saguões da carne.

No entanto, a lucidez poética se avolumou, à busca do exata da palavra se devotou, expandiu ou arrostou os limites do verbo, desvendou os sonhos, antes de sonhá-los.

Os mortos de Lorca (depois, o próprio Lorca, assassinado por Franco: impune até hoje), os homens desabitados de Alberti (Sobre os anjos), o tudo foi naufrágio de Neruda (sobre o Amor deserto), o vazio de ser em tempo de cólera, de Marquez, tudo Cernuda sentiu, distilou e destinou ao urdume do poema.

A REALIDADE E O DESEJO.

“Que ruído tão triste e estranho

dos corpos quando se amam

estraçalhando lençóis e intimidades”.

Ou: “Mãos rápidas, atentas, obscenas

feixes de mãos que foram um dia

flores do jardim de uma abertura lasciva”

são provas da sensualidade pura de Cernuda.

Poeta a quem a realidade impediu o desejo.

E sua morte tão cedo foi efeito da derrota do sentimento.

 

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