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CONFISSÃO EXTREMA - (unção de ser não) PDF Versão para impressão Enviar por E-mail
Escrito por Administrator   
Terça, 07 Março 2017 14:42

Busco na palavra a secura, o inóspito

de mim que vaga como grito arrancado

do esôfago da náusea que habito, entrego-me

à vida ávida do ácido da morte

triunfo do espírito, à silenciosa

peçonha das horas dedico o sopro último

e esse ofídico silêncio

que me lacra a alma, cofre

de mistérios lentos e turvos, que me

envenenam o derradeiro lábio

de um beijo frio e montanhoso

ao instante cru, à última hora desesperada

dedico ao corpo esta palavra

que nele instila candura áspera

e a dura certeza de inexistir.

Estes poemas imprevistos

são como silêncios insanos ou gritos

arrancados da garganta do livro

(para o ralo anônimo onde a vida drena

decepções, discursos lúdicos, mármores do espírito)

e expostos ao abandono de um dia sem viço

enterrados com meu túmulo

(e o cacto do silêncio que me coube da lida

ofegante e gananciosa da vida inútil estrada)

com minhas veias, meus indícios

e falsos ouros que o outono oferece

como consolação ou holocausto civil.

 

Saio da vida como quem recolhe uma vela

fecha uma última janela, asila o sol da veia

ou contempla o sal que restou

do mar ínvio, canhestro do sopro

agora sonegado e desdatado para sempre

(sopro antes tão vivo e comemorado

em haustos de gritos e conhaques de aplauso

tão libidinosamente urdido e alimentado

por novena de meses, resmas de cuidados).

(Sopro agora monturo, posta

de sangue e cinza

entre flores deliquescendo

encerrado num túmulo provisório

mas real, túmulo

que as horas depauperarão

com precisão apocalíptica

e crotálica doçura).

 

Do túmulo extremo e duro, pedra

que trancafia o sopro, urna áspera e pura

tão inesperada mas incerta fúria

lapido este poema insincero mas honesto.

Assisto (a palavra amara em riste)

o espetáculo do crepúsculo

da alma fechado em silêncio acúleo

papoula e absoluto

que é a morte do corpo

e vento esquizofrênico para o espírito

(que triunfa inutilmente

entre décadas e compêndios

de filosofia fria).

Estas palavras sem ventre

ou sentido humano recolho

do vento selvagem da vida

capto do vendaval do espírito

e das emboscadas do destino

e as deito no leito espúrio

dessas páginas tristes

sem desespero ou esperança.

 

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