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METEORO RIMBAUD TDAH PDF Versão para impressão Enviar por E-mail
Escrito por Administrator   
Quinta, 13 Julho 2017 23:30

Rimbaud foi um gênio, veio ao mundo, missionário, do interior da França do século IX, acredita-se portando TDAH (Transtorno de Deficit de Atenção - Hiperatividade) e rasgou o universo da tradição poética ao meio.

Sua presença, passagem, trajetória, relâmpago no espaço literário do mundo foi fulgurante, breve, revolucionário, abrindo as veias da modernidade, até agora não estancados. Fez sangrar a sagrada poesia.

 

O meteoro Rimbaud partiu do céu francês em 1870, o astro havia incompletado 16 anos e sumiu do espaço mundial cerca de 1875.Cinco a seis anos durou o meteoro Rimbaud a cumprir sua missão, iluminadora, excelsa e definitiva. Não bastaram mais de cinco anos para Rimbaud deixar uma côncava montanha, uma brecha, um abismo ou cordilheira de abismos na pele e na alma do espaço do universo  humano.

Rimbaud, o vidente, viu longe, avistou todo o século XX e seu olhar visionário se estende até hoje.

Rimbaud, na tabela Borges, foi o precursor. Foi a ignição que despertou, avivou, fez funcionar o motor poético, que impulsionou ou acordou o dínamo Baudelaire (nascido bem antes de CR) e Verlaine (Contemporâneo), criou a máquina lírica que o continuaria : Mallarmé, tudo sob a regência, louca do incalculável em pluralidade  de explosão poética: Leautreámont.

De início, ao 15 anos, ele era em Charlesville onde nascera, um poeta bem convencional, porém era altamente inteligente, egresso de uma família camponesa qualquer. Daí, a chispa de hiperatividade que iluminava seu cérebro. Tornou-se seu relâmpago súbito. O mesmo ocorreu com Verlaine, puro poeta parnasiano em sua fase pré-Rimbaud.

Em maio de 1871, pouco depois de publicar o primeiro poema, Rimbaud, escreveu Lettre de Voyant, (Carta do Vidente) e nela se iniciava a pregação da modernidade poética(uma direção de que ele não tinha ainda plena consciência), algo como que ditado pelo  ID, em que condenava toda a poesia francesa como MERA PROSA RIMADA(Textualmente).

Repudiava Lamartine (o príncipe dos poetas franceses) por estar estrangulando, sufocando, atrasando a poesia francesa.... e também estrangulado pela  forma obsoleta de poesia que ele, Lamartine e outros todos, praticava, tornando o estro francês anacrônico, represada a criatividade pela  tradição impiedosa.

Os improprérios rimbaldianos, brotados da garganta iluminatrix de um jovem gaulês de 15 anos, adolescente satânico, Deas em estado selvagem, atingiam até seu ídolo e herói poético Baudelaire, que iria reagir aos apelos da modernidade vociferados por Rimbaud aos céus da França.

O que Rimbaud pregava aos gritos (em cartas que são hoje bíblia de crítica literária) era novas formas de poesia, textos  que escapassem das garras da tradição concedendo abertura formal e dando asas e rédea solta ao gênio do Poeta: Rimbaud foi a lâmpada que até hoje clareia a poética.

Para Rimbaud, a função do poeta não é criar poesia, consciente.... e voluntariamente, mas permitir criar condições para que o poema se desenvolva por si mesmo, sem interrupções, bloqueios acertos, consertos, coisas que a regra rímica e o aparato métrico fazem bem interrompendo o fluxo imaginário ou a corrente inconsciente que eletriza a página e  seria o poema, sanando o escuro em que vivia a poesia.

Levado às últimas consequências, esse principio visionário de consecução poética conduz ao surrealismo, desemboca no século XX e perpetra os ismos que concretamente abriram as veias da modernidade poética pelo o bisturi rimbaldiano detonada.

Pelo  Rimbaud não era experiente apenas um adolescente hiperativo, inteligente, poliglota, extrovertido....não era filósofo, nem crítico literário, então o que pregava – do púlpito de sua visão futurista e complexa – não expressava nenhum sistema ou se embasava em teorias acabadas e consequentes, apenas expunha publicamente um sentimento, uma vaga percepção de pleno descontentamento com a feroz disciplina imposta ao poema, estatuto ou doutrina inibidores da poesia.

Como no Brasil, na era em que Bilac(e acólitos) conduzia o parnasianismo com  mão de ferro como se fosse a última modernidade e a definitiva situação da poesia.

A influência de Rimbaud não gerou frutos imediatos, apenas preparou o terreno, aplanou  a voragem tradicionalista apinhada no Monte do Parnaso, para a ação de Verlaine e fez este convidar Rimbaud para ir a Paris, em setembro de 1871.

A partir daí, Rimbaud soltou as garras (o abutre ou a águia Rimbaud com a velocidade de um meteoro deixou rastros e feridos, vítimas e descontentos, em toda a vasta plumagem chamuscada da poesia francesa).

Moréas – líder literário à época – disparou: Rimbaud quebrou as cadeias cruéis da versificação.

Num grupo de poemas escritos em maio de 1872 (em Paris) ele havia ultrapassado o próprio amigo e amante Verlaine no campo das inovações poéticas – e Verlaine era notoriamente mestre em  inovar o verso.

Cinco anos depois, Rimbaud se decepciona, tudo o que ele pregava, o surto  inovador que abrira, os exemplares poemas que publicou e divulgou, nada demovia a velha França de seu Parnasianismo piedoso. E Rimbaud deixou a poesia para sempre.

 

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