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ESCLARECIMENTO VITAL PDF Versão para impressão Enviar por E-mail
Escrito por Administrator   
Quinta, 13 Julho 2017 23:33

Indagam com frequência o por que da tradução do título do livro último (set/2015), Estrutura da Obra para La Structure de la merde.

É que, não tenho (vca) ilusões, minha obra poética (e ensaística) é uma merda mesmo.

 

A essência disso poético que apodo de  absoluto é fésica, no fundo(sem trocadilho). Algo como o quadro de arte fecalitica que estampei na internet.

Primo, é ilegível  absolutamente, é ininteligível em absoluto(nem eu entendo VCA poeta e ele fuzila: quem me entenda, me derrota. Não se pode esperar mais de um poeta que se diz inspirado e de alma seca).

Essa é a realidade.... e não se pode fugir dela: VCA  é uma merda como poeta, mas não um merda(que é ruim). Feliz ou infelizmente , é isso . TD.

 

Vital Corrêa de Araújo

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Apenas direi

Sobre a praça onde minha infância adormeceu

A chusmas de pássaros  oferece

Meu peito casto e ilusão valente

Além do milho de minha fantasia.

 

Água febril do meu delírio

E o inteiro sal do meu silêncio

A velhas traumas doar (antes de morrer).

 

(Se com amor a vida é erma, então...)

 

Se me perguntarem amanhã

Por ofícios matinais e idas primícias

Darei meu nome como resposta.

 

Se me perguntarem talvez

Pelas arruaças dos ricos

E desvairada cobiça que os devora

Não referirei camelos e agulhas, talvez.

 

E se por que sigo sem cessar

caminhos maltrapilhos das metrópoles

a distribuir intrigas e amoedas usuras

 

direi que apenas conheço minha floresta.

 

Ou a espuma da minha aldeia tão modesta

Ou a praça onde adormeceu minha infância.

E que pasço os dias a ouvir ovelhas

Velhos balidos que não voltam mais

 

Ainda ouço relatos de arroios lentos

jorro da impúbere água do batismo

Cochilo das sementes tomando sal

Rumor azul de messes adormecidas

Impaciente fluir de fontes arruinadas

 

A meus pés quase sepultos

Chinelas de Pedro seleiro

 

E das ribeiras do meu outubro

naipe dos meses desesperados

Gaiolas loucas de desejo

Zodíacos entristecidos

Além de calendários  aborrecidos

 

De tristes datas descompassadas

 

Tudo em regozijo

Ao debacle da utopia

 

Mas à  noite ouvirei novamente talvez

Lua rural tocando cítara.

Com dedos de campina e fervores azuis.

 

Tocarei a sombra em que te transformaste

O nome que foste, a Eneida fugida

Apalparei minha dor enorme

(Maior que o amor, talvez)

 

E me farei antigo como um ditirambo.

 

O louco que me resta

A coroa de um punhado de arroz

Apanhado na gleba da dor

O alimento que a alma vomita

O tempero  intemporão

Tudo que o tempo exaura

Rasgue, jogue fora, despedace

Sou eu.

 

E fundarei indo safras podres

Com que lavei ilusões

E inventei incoerentes repúblicas do porvir

Reinados sem ventre, impérios nus e ansiosos.

 

E me fundiria à cidade que me veio o

Natal como o início.

 

Findarei o poema convulso dizendo

a felicidade consistia em

ver pastar utópicos bovinos

(Tourino do futuro vir a me lamber)

 

Para sentir  leveza viva do voo da borboleta

Sobre o rosto da promessa

Sonhar  com a libélula iluminada.

 

Enfim olhar o arrodear

Dos cálices lentos e rubros das flores

Por abelhas dedicadas a levar

Ao enxame de Deus  botim do néctar.

 

 

 

 

SABOR (DE MIM) O

 

Saber que a poesia conversa com árvores

E na campina do silêncio vespertino

Leito de estrela d’alva acasala

Com o ângelus

 

A se engalfinhar com potes de couve verdes

Lentos volumes e crivos amarelados

Das cores dos crepúsculo nas varandas

Do lúbrico amanhecer.

 

Saber que graças à poesia

Capaz és leitora incruenta e sadia

De ouvir orvalho e sentir

seda úmida da manhã dos lábios

a olhar astros matutinos debruçados

das madrugadas dos alpendres

 

que restaram das réstias da infância

ou de suas imperiosas ruínas sobreviveram.

 

 

E TUDO FOI NAUFRÁGIO

 

Estendida das redes célicas estavas

lançando-me a teus olhos

Como sinfonia de gladíolos aproximando-se

 

Do coro rural das rolas fogo apagou

Dos páramos  onde a infância se debruça e pasta

Ouvirás leitora   pedermida  que ama artúrios

A mim que não cultuo gerânios

Que já não ouço teu nome há milanos

 

Úmida a sonata de rãs da Goiabeira

Noturno concerto de gemidos

Do palco de riachos esquecidos, de

Águas perdulárias e perdidos nas lembranças velhas.

 

Do córrego dos Coqueiros

Onde a infância naufragou, lembro

Quando do “balde” do açude e do cacimbão

Rãs corruxiavam para mim.

 

 

PRÓLOGO, ENFIM (à Montaigne)

(ou a publicação do íntimo)

 

Qual Montaigne, afirmo ser este um livro de boa-fé, escrito para mim mesmo, que expressa o íntimo, e o publica.

Não o move  interesse para  com terceiros ou qualquer outro leitor, ou, melhor, qualquer um que não seja eu mesmo.

À posteridade, U jamais interessaria, porque a minha é vã e ínfima (além de totalmente pessoal).

Detectam-se nesses versos “alguns traços de minhas seduções  e humores”, ou mesmo o caráter de minhas ideias, seus rostos mais secretos, nauseantes fantasias e vilezas próprias de ser humano e vital.

Como não almeje favores hipócritas do mundo e não pretenda alimentar fantasias ignóbeis dos leitores, de possíveis e desastrados leitores que o sequestrem ou aliciem, ou o desviem dos seus ilegítimos fins-e só a mim, o autor, afete com sua canga francesa de afecções. Ué  um livro triste, crasso, ímpio, impudorado, estéril, convicto, desumano, mimético, eslavo. Mas não propano, ou de gás profano,  porque dirigido ao semelhante, e ocasionalmente  a algum qualquer leitor. Numa palavra áscuo.

Poemas neles contidos apenas retratam meus enojados defeitos minhas náuseas cotidianas mais acerbas, granjeados  ao longo de périplos escuros e solitários, pelo o chão prófugo de minha pobre alma vã. Deserto paramo de meu espirito vão ou inútil.

Eis pois, exposta, nua e devassa, a matéria prima do livro, hipócrita leitor ! EU é um livro nu.

Espero que nunca o leias,  a fim de não te assustares com a ferida do reflexo em tua máscara fútil, num ímpeto profano e curioso, bem feminino.

Nem mesmo eu – o idólatra autor, sei se lerei tais poemas, especialmente porque são ilegíveis. Inexpugnáveis de descontextos férteis. Que, provável leitor, faça-se juiz de suas intenções e decida por nunca ler-me, com astúcia e vontade – é o que clamo neste prólogo incontido, ressalvando, no entanto, que qualquer situação, trecho, mementos ou momentos de percepção, beleza, reconhecimento ou ironia, que por acaso, flagrem-se, é mera coincidência, conforme intenção direta do autor: pois é um livro momentoso e iconoclástico.

O futuro póstumo ou a boa memória dos imigos decidirão sobre o montante real do obrigatório encalhe destes míseros 200 exemplares. E objurgatórios preênseis cairão sobre ele.

Não muito obrigado !

 

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