destaques
Typography
  • Smaller Small Medium Big Bigger
  • Default Helvetica Segoe Georgia Times

Se isso não é um romance...

dê outro nome.

Porque o texto nasceu

inominado e numinoso.

 

Quando homem e palavra

desentendem-se

desse desentendido crucial vem

o verbo na forma que a página receba.

E o que pretendeu o texto

não dizer claramente

é o pensamento do leitor

verdadeiro, solene ou não.

Hermética é a palavra

e o mundo é hiperhermético.

Só leitor é verdadeiro, existe

nesse instante (da

página 22). (A ser).

 

A modernidade é apocalíptica.

Como o poema é a parapocalíptico

na forma e no fundo da palavra.

Como a forma é apocalíptica

na poesia desse romance

que não parece ser.

Romance apocaliptical.

A falência política do homem

sitia, isola, desfavorece e enfraquece a poesia.

A frágil totalidade sofre.

A dispersão enlouquece.

Olhe-se, leitora, a seu redor...

enrede-se na teia severa

de suas circunstâncias e incircunstâncias... e...

leia Rilke. Enrilkeça-se assim.

 

Grandeza e dor.

Esplendor morto.

Deus deserto. Não morto, ainda.

Se tudo é nada, comece dele.

Se Deus não há, não é...

tudo vale nada.

No céu vazio, pulsa lua cúbica.

A modernidade da morte

é séria. Exata...

O moderno são as cinzas.

O pó. A sede. O vão.

Os últimos dados são inexatos.

Como cubos ao quadrado.

 

Soma de nadas o homem.

Noves foras nada o homem vivo

sob céu de pedra vagarosa

lenta rosas a morrer do trânsito.

 

Até quando imprestáveis

cruzes de cinza ergueres

entre as bordas irrespiráveis

e os abismos imprescritíveis

da nova e cinzenta ressurreição.

 

A história disso que

não é romance se repete.

Cristo se crucifica a cada

hino, ano, onde, quando.