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VCA copia Celan, para quem a obscuridade, o hermetismo sem freios, a obsessão pelo indizível, o cultivo do silêncio como significante são imprescindíveis à poesia. Que é descrição interior. 

Daí o crivo de matadouro da poesia vitaliana.

Nele, a discursividade é espécie literária extinta.

O discurso é eviscerado em postas de sentenças. 

É também um mineiro que bateia na página gemas de palavras. E apura-se em vastas escavações de filões de arquétipos. Que arranca da alma. Ele nunca estereotipa.

 Nele, flagra-se um trabalho infatigável de desconstrução vital.

 E defronta-se uma realidade insignificante porque dotada de aparentes significados. De significâncias.

 É prenhe sua construção poética, a estrutura e o alicerce de seu poema, de instabilidade de significados. Sua eclusa verbal compõe o sentido hermeticamente fechado. A vedação de sentido é radical.

 VCA opera no sentido de verificar a pressão dos dias comerciais danificando o poético. A pesar as coisas e os seres, abrir e dissecar o estado do mundo.

Fazer refulgir e refluir, refletir e refratar o desejo e seus objetos.

 No jogo de espelhos da palavra, Vital colhe fragmentos (que ele apoda de íntegros).

 Em suma, sua poesia (como o Sr. Sébastien Joachim bem caracterizou, em seu esplêndido ensaio sobre VCA) ainda não está equitetada.

Pois é nova, recém plantada e colhida.

É lavoura do verbo nova. Messe ainda azul.

 A morte precoce ou longa da poesia é que Vital defronta, encara, resolve.

 Para ele, à tese de 1922 sobrepôs-se a antítese de 1945, e a síntese está por vir.

 Na poesia de Vital Corrêa de Araújo o ponto alto é a histeria do progresso (econômico e moral). Histeria que vivemos escandalosamente parvos, inutilmente inocentes. Ingênuos como sempre.

 Por que à práxis poética a análise dialética. Porque para VCA a modernidade poética brasileira (que teve seu apogeu em 1930) se exauriu a partir de 1945.

Não queira isso dizer que não dispõe a Geração de uma plêiade excelsa de grandes poetas. Apenas que 1945 tomou outro caminho menos íngreme, desrumou. Apocalipsificou-se em estratos. Numa certa acomodação. Paz neoparnasiana. Mares devotos, sem ondas surpresas, navegar. Fora do alcance feroz do mar picado e tsunaminoso de Bandeira, Cabral, Cardozo, Murilo Mendes, CDA (muito ousados e ilimitados).