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Escrito por Administrator   
Sexta, 15 Fevereiro 2019 13:47

Como e por que comecei com essa poesia intragável, impública, pouco pudica, não republicana (para o BRA), inconsequente,

 

indefensável e incoerente sobretudo blusa encharcada de descor? Simples

 

 

Quando me sentei sentindo-me que ia a fazer o primeiro soneto (simples ou não) mudei de ideia (e de cadeira) , rasguei de súbito as rimas – cuidadosamente selecionadas e arrumadas com arrimo ao lado da página – desritmei-me por precaução despojado de toda a vontade sonética... e resolvi ser complexo. E fui VCA. Deixei a palavra desnudar-se como uma mulher e, ao vê-la nua, vesti o poema de sintagmas turcos ou cartagineses, senti sentado a sombra do livro (e era possessiva e bela sobretudo ávida) e vi por uma nesga do olhar ( e da janela) a lua desabochada por trás das folhas mais altas do sambaqui, o que me fez ver toda a nudez da palavra – e relâmpago verbal iluminou-me a interior necessitando do silêncio que antecede poema complexo. Que a realidade vista do lado de fora era mera e aparente muito. E que a uma boa dose de solidão diária me obrigaria vida afora. Eis via ou veia à poesia absoluta.

Dessonetizado, comecei a uivar. Como Cioran ate hoje (15.08.2015). Mas não perdi a descompostura: continuo sabendo fazer panagíricos. Sou urbano puro e rural. Não ameaço a comodidade (nunca) fica em pane. Moralidades à parte, imoralidades em baixo. Como Joyce luto por silêncio, desterro (solidão jesuística ou não, ou melhor, monacal, claustro e cela com cilício, num mosteiro de São Bento) e astúcia.

Meu poema é enraizado em desenredo, anatemático (cheio de anátemas apóstatas), inconcluso, nada diz, então cálice e vinho (e o pão de Holderlin). E um poema sem aspectos (exteriores) e fora da ótica da ternidade. Pois não é fraterno nem externo.

É farisaico, acho. Meu poema vital.

Sua realização (potencial e não) se opera fora da zona mortal de qualquer materialização formal. (Embora empregue lógica dialética bebida em Henri Lebvre – o filósofo urbanista, que descreve a cidade por vir – que aprendi com mão filósofo).

Como historiador, aprendi a não reproduzir a história (como farsa ou não) nem repetí-la em boa hora.

Cada poema é clandestino, brota direto do ID, sem egoístas amparos. É puro. Antes de ir ao sacrifício da página, habita o cérebro sem trégua. Exijo me interpretem, desconjuntem, critiquem, emendem, raptem, cortem, anulem o lado poema antes de lido. Eis a lida da poesia absoluta. Incrível?

A chave do poema busque nos neurônios nus.

Inexegético... e por aí vai... é rocha ler Vital, posto que, principalmente, ler VCA causa AVC (já houve 3 casos comprovados de morte súbita sobre a mancha absoluta da página). Então...? E não é poema metafísico. É poema dialética, ao contrário.

À lacan, à Zizek, à la carte? Escolha o aspecto da alma da leitura vital.

Alguém apontou um dialética paradoxal. Que tal? Embora as peripécias do verbo alado absoluto sejam dignas de algum Ícaro moderno.

Nada odisseico ou ilidiáco! Só osso de símbolo.

Tem a forma do mundo remoderno.

Para PA Penélope é infiel. E ladina.

Quanto mais o tolo Ulisses demorava, mais príncipes ele sodomizava.

E Odisseu, quando, após o morticínios principesco, com ela dormia, pegou baita blenorragia. Vide Plutarco.

De tais invensões substanciais e formais, vive a poesia absoluta (PA).

Sem poema absoluto advém de um parto (meio maiêutico talvez). De parturição no berço branco da página. Por isso, é vital.

 

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