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TODA ORALIDADE SERÁ PROIBIDA PDF Versão para impressão Enviar por E-mail
Escrito por Administrator   
Segunda, 18 Fevereiro 2019 20:57

Poeta (poeta) tem ânsia de absoluto e despreza todo o relativo do verso (eleito há mais de 100 anos, como padrão final de poesia).

Aquele lida como o hiperverso perversamente, isto é, torna fulo, raivoso, inquieto, contrário leitor fácil, que queira tudo de sentido imediatamente bem exposto, indubitável sentido meridiano, cristalino como a pele de sua alma parnasiana. Poema já bem mastigado para facilitar a deglutição do entendimento. Leitor culinário e poeta servidor – de avental sonético –de musas banqueteosase exigentes de roupagens exatas, cores rimadas, tudo dentro das especificações de Bilac (perpétuo, como Machado).

 

Não na ânsia metafísica meramente de absolver, sentir um poema, que é o caso do leitor relativoou elementar, mas o impulso de acesso ao absoluto da palavra, não serviente ou veículo da referência (que reifica) ou ao sentido óbvio, exato, relativo (que ulule) é o que caracteriza o leitor absoluto, o que lê o ultrafuturo da poesia.

A poesia, tal qual se faz mecânica e especificadamente fabricada, poderia servir para fazer manuais de instrução do uso de produtos e bulas de remédio, pois é precisa, logicamente correta, previamente dotada de basto sentido.

A palavra como espírito humano, não fórmula ou gramática coloquial, sintaxe cotidiana, certeza de sentido, instrumentos da dominação, receituário do poder sintático e anti-humano.

Nada há de prévio num poema. Só, após-poema, é que o poeta terá do texto consciência plena (saberá o que não disse, ou melhor, o indito, porque o dito todos já o disseramregradamente).

O poema absoluto não é nada sistemático, pois é fruto excelso (embora fugaz) do acaso dado ao id livre de peias e condições restritas do ego. É o id que lhe dá o poema, leitor (e da comunhão dos ids do poeta e seu, basta a exegese singular).

Não a prévia noção ou consciência do tema e projeto de métrica e rima (tipo, em decassílabos, AB –AB...).

É o fugaz absoluto e imprevisível a firme meta do poema absoluto.

Condições e qualidades que recusam (mesmo rechaçam) toda oralidade (que será proibida absolutamente).

 

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