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POR QUE NÃO SOU POETA? OU UM GESTO ANTE DA GESTAÇÃO PDF Versão para impressão Enviar por E-mail
Escrito por Administrator   
Quinta, 14 Fevereiro 2019 20:28

Não sou poeta por quê? Por ser.

Não sou poeta porque não quero o ser

tal o qual não sou poeta por principio.

 

Não sou poeta por não prezar o sentido, a sensibilidade, o sentimento

(que acho não serem poéticos) e coisas tais... com as quais

não se é poeta... ou se for poeta, sou outra coisa além...

 

a linhagem do poder - na acepção

de ideologia dominante que impõe

uma concepção forçada do mundo -

quer tudo dito, bem dito

ditame a ditame, redito, exangue

sentido claro, crível, cru ou não, exposto

etc... ou sem etc.

A prosa é um meio para um fim. Claro.

Ou não. Tanto faz.

A poesia é um fim

qualquer que seja o meio, meio

que não condicione ou objetive tal fim.

Pois, a poesia é um fim infinito, sem finalidade

que a de ser poesia

sem mediação finita, objetual etc.

Se por acaso, o poema fosse um meio

seria um meio sem finalidade nenhuma, portanto.

Um meio interrompido. Mensagem estagnada.

(A propósito, isso é um poema

de quem não é poeta ordinariamente

ou costumeiramente considerado). E

esse parêntese é parte e finalidade do poema.

Tudo o que possa sem configurado

como sentido... não pertence ao poema.

 

Poema não é pragmático. É poema

Prosa – mesmo em verso

e devidamente versificada

com apuro, pureza, lavor etc –

não é poema não.

Ou, melhor, tudo o que seja explicito

não pode ser poema, embora

formalmente se encaixe nos ditames

imperiais ou autoritários da versificação.

Amara ilusão.

Não emito mensagem, bem que queria

ser prosista poético.

Não carrego mensagem, bem que queria

ser bom carteiro orgulhoso.

Enfim, faço poemas como uma

máquina fotográfica ao acaso faça

retratos de poemas.

 

ADENDOS

 

Versos com veludosas vozes não valem.

Indefinições exatas ou não valem

valem ou  não? Valem ou sim.

Vezes entrecortadas de emoções

complexas ou não, não...

 

Lógicas são apoéticas.

Em especial, a metafísica (que

é muito maquinal e bem diurna).

A lógica dialética noturna, essa sim.

A poeta é vedado falar com leitor.

A título ou não de comunicação.

Informação sentimentos, moral total

é invalida, apoética, desprezável.

No entanto, o leitor pode ser ou não

qualquer um que apenas não entenda

pois o desentendimento poético é vital.

 

O destinatário – que haja – que seja

um qualquer não leitor ainda

e que o acaso faça-o ler...

 

 

O poema permanece nas palavras

do poema, não sai delas – nem elas

saem dele. Porém o poema não

é limitado pelas palavras porque ele incorpora

tudo aquilo o que as palavras ainda não disseram.

 

Pois o poema visa preencher com pássaros

o incontrolável e verdadeiro vazio verbal

informativo em ato pragmático real.

Ou seja, o sentido em falsa suspensão.

Toda gestação poética é verbal (feto de palavras).

 

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