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IGUARIA PARA NEURÔNIOS PDF Versão para impressão Enviar por E-mail
Escrito por Administrator   

Poesia é poesia, prosa é prosa, não é dito pelo Acácio de Eça ou Monsieur de La Palisse, (de Molière), mas é uma complexa verdade.

Há muita prosa poética (acontece), porém não pode haver um poema prosaico, seria bruta contradição dos termos (choque de pelicas no Brasil – de hoje). Quer dizer, há–o, e muito muitíssimo, 99,943,% dos poemas hodiernos são poemas prosaicos. Descrições, histórias, situações amorosas e morais enfeixadas, reduzindo a verso, versificadas, marcas vencidas, desepocais, de métrica e rima. Mera prosa partida em versos,escansionadas. O que, repito, é uma vera contradição “in limine” dos termos, mas é verdade também.

Outra koisa. Mensagem, recado, informação, descrição de pessoas ou ambientes e situações cotidianas, lição (de política, de amor, de moral, de sexo e outras publicações do íntimo) são vitais à prosa (de certo modo, sua razão de ser), porque esta (a prosa) é para dizer koisas, sugerir, informar:comunicar. E se comunicar é o objeto da literatura, poesia está muito além da literatura.

A poesia não leva mensagem (quem leva mensagem é (o grande profissional) carteiro, sua dinâmica e vital profissão, desde as carruagens), a não ser incidente ou lateralmente. No entanto o poeta, que intencione com seu poema tomar partido, dizer algo (que ele considere positivo e necessário) pode até estar fazendo um esforço generoso por uma causa qualquer, porém não está “fazendo poesia”. Está sim dizendo algo (objetivo) em verso (subjetivo). E nada mais.

É outra coisa (é literatura? Sim.), mas não é poesia (que é algo mais, muito mais sério).

A poesia situa-se no reino do indizível, serve para indízer, é da ordem do indito (que “diz” mais do que qualquer ditado ou discurso prosaico, mesmo em prosa poética).

Costumo dizer – parafraseando, o “poesia se faz com palavras, não com ideias “mallarmaico – que poema é feito com (ou de) significantes, não (nunca) com significados.

Poema é um sistema complexo de escrita, exclusivamente para silenciosa e arguta leitura. E quanto mais rima, menos poesia. Ou quanto menos rima, mais poetas.

O poema não pode ser nada perspicaz. Ele não explica, nem pode ou deve explicar nada.

Poema não é nada romântico. Muito pelo contrário. Não é algo simples, fácil (de ler e/ou fazer), inspirado, bonito, prateado de pérolas de palavras, com plenos significados. Poema não é lindo, sincero, indúbiopro leitor. Não!

Não é papel ou função da poesia inspirar, enaltecer, incentivar a evolução do pensamento (cotidiano) ou (bons) costumes humanos.

Poema não é preciso, exato, indubitável, meridiano.

Obediente a regras (que cassem ou interrompam a imaginação).

Gosto de pensar que para onde vá aágua do rio, vai a poesia, como tsunami na página, foz da palavra, estuário verbal.

O alguém pode rebater: a literatura é social, etc. Mas: poema, na acepção grega, original, essencial está fora (ou além) de qualquer literatura. Ver Heidegger em A essência da poesia (sobre Holderlin).

O que importa, portanto, não é a mensagem, o dito ou literal, o ditado, o ditame. É a formada mensagem, que faz o poema (poético, não prosaico, ressalte-se enfaticamente).

Resulte isso em algo difícil de entender ou mesmo indizável, ou, quem sabe,parecido, referenciado tanto faz. Porque a poesia não está (nunca) no dito, mas na forma (livre) de dizê-lo.

(À ininteligibilidade – aparente ou não - do poema correspondo exatamente a     indicibilidade – de indizível, que os idiotizados repelem).

Não está a poesia, no que se disse, mas no modo de dizer algo (seja este algo mensagem ou não, ilegível ou não, ininteligível ou não).

Poesia (absoluta) é linguagem complexa, em mais alto grau possível, acima mesmo da compreensão humana. (O que seja facilmente entendível, deglutível,não é poético: é culinário mesmo).

Poema poema não é prato de elite social alienada, mas delícia da elite mental (avançada). Banquete para neurônios.

Nota: o autor parte de uma visão sincrônica da poesia. E não é muito gordo.

 

 

 

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