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PROCESSO BARTHES (GRAU ZERO DA POESIA) PDF Versão para impressão Enviar por E-mail
Escrito por Administrator   

Roland Gérard Barthes, nascido francês, teórico literário, filósofo, linguista, crítico e semiólogo.

Nasceu em 12/11/1915 em Cherbourg-Octeville. Morreu em 25/03/1980 em Paris, França teve sua educação em Sorbonne, Universidade de Paris.

 

Uma forma (método, melhor) de avaliar o descalabro, a divergência, o pântano abismal da poesia oficial brasileira (a que é aceita como tal pacificamente ante à “outra”, que é imposta por poetas loucos, como VCA) é confrontar seriamente a função (ou o ofício) do poeta clássico com o moderno (ou seja, atualizar esse potencial de diferença de carga).

Daí, chame-se, à colação, o imenso Roland Barthes, no seu classicíssimo “O grau zero da escritura”. “A função do poeta clássico (em oposição ao moderno, atual) não é pois encontrar palavras novas, mais densas ou mais brilhando; é ordenar (seguir) o protocolo antigo (observar a tal arte da versificação, mera técnica utilizada, admirável e inultrapassadamente por Camões), perfazer a simetria (contratual, isto é, de contagem com o tato ou dedos) ou a concisão de uma relação, trazer ou reduzir um pensamento ao limite exato de um metro” (quantificar mecanicamente quase).

Poeta clássico deve atender, obediente e completamente, às regras, convenções, medidas. Reduzir o sentimento ao som de uma rima. Não faz poema com palavras, mas com ideias, temas, assuntos sentimentais ou não, projetos, intenções exatas. Resulta uma boa arte de expressão. Não de invenção. No poeta clássico, as palavras não brotam da página da alma como petardos verbais, relâmpagos escritos, trazendo à tona violenta profundeza do pântano do id à página inesperada. Porém, são trabalhadas, a priori, em projeto, rigidamente regidas “por exigências de uma economia elegante ou decorativa”, assegura Barthes. Tratam-se de fórmulas, não de substâncias. Perderam toda a densidade, são transparências repetidas. São espantosas por nunca perderem o encanto de palavras belas, exatas, retratáveis de emoções humanas (normais).

No discurso poético clássico (passado), as palavras, mal aportam na página, logo entregam cândida e totalmente o sentido, dizem para o que vieram: encantar o compreensivo leitor, abrir sorrisos na sociedade, em seus momentos de óbvio ópio, ou melhor, ócio (o que é o mesmo). O sentido alcançado (e nunca perdido de vista, naufragado) é veículo de dicção, transporte de mensagem e tem como objeto (não o poema), porém a comunicação. É informe em forma tecnicamente perfeita (com métrica, rímica, ritmica tudo dentro).

Quando Victor Hugo distorceu o precioso alexandrino, foi um preanúncio da poesia moderna em gestação dialética do ventre da clássica então vigente. Ao método cuidadoso, adereçado, decoroso, Hugo veio com uma explosão de palavras, começando a implosão moderna (que vem de dentro e centrifuga).

Daí em diante, a evolução foi eficaz e incontida. Barthes dixit.

“A poesia moderna, de fato, já que se deve opô-la à poesia clássica e a toda prosa, destrói a natureza funcional da linguagem, e dela só deixa subsistir as bases lexicais”. E continua: “ A gramática se desprova de sua finalidade original, torna-se prosódia, se reduzindo a não mais do que uma inflexão para prover poesia à frase”.

A palavra poética é algo libelular. Folha de relva, ou borboleta ou flor flutuando, a palavra poética toma as rédeas da imaginação, monta o cavalo do id e galopa pelas plagas da página afora com liberdade infinita, a irradiar caminhos e sentidos dessa cavalgada épica e singular.

 

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