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CRIAÇÃO: CARÁTER ABSOLUTO PDF Versão para impressão Enviar por E-mail
Escrito por Administrator   

O que caracteriza, colocando-o, num patamar inédito, o poeta absoluto, é que o poema por ele produzido em composição livre de regras anacrônicas

(a única regração é a do imaginário, que é caótico porque criativo e liberto de limitações e horizontes razoáveis), pode (e deve) contrariar os sentidos, não os físicos, mas a evidência dos sentidos, das coisas ou das palavras. Tudo pode ser contrariada, no poema absoluto, o que dá uma margem sem precedências e mesmo uma sensação criativa inusitada e inédita ao poeta criador.

 

As evidências costumeiras, a que as palavras automaticamente nos levam (como diretores de nossa consciência), no poema absoluto, quebram a cara, são poderosamente desqualificadas, descredenciadas, anuladas, porque a mente criativa é desautomatizada (e não há direção possível no âmbito da inconsciência, pois o id é livre e autônomo, o que reflete na liberdade e autonomia do poema não relativo.

É uma criação da mente humana e não mera projeção ideológica comprometida do ego, da visão externa e metafísica, que se tem do mundo e das coisas. O que seja do âmbito do id é misterioso, meio que de aparência irracional, destituído de sentido imediato, não crível (ou incrível), vigoroso, sublime, estético, artístico – e nunca vulgar, a nível da massa ignara.

Esse aspecto inconclusivo que assume o poema é vital, essa fuga da forma clássica sempre igual e repetitiva, capaz de confundir com fôrma, é imprescindível para caracterizar o poema absoluto. Que traz em si descontinuidade, dissimetria, fragmentação, certo grande teor de incompreensão e completo inacabamento. O poema absoluto dispensa acabamento. Ele é, além de inacabado, inacabável.

Causam e são causados por visões esplêndidas, quase sublimes ou siderantes, por majestosas mundividências – por aquilo que o alemão chama de weltanssuung – concepção do mundo: os poemas absolutos.

É isso que promove uma conexão entre o humano e o cósmico, á base de um link ou liame irracional, inédito, vez que tudo o que seja bem racional é artificial em essência.

É possível distinguir e reproduzir num poema as veias da galáxia (veias encarnadas na mente do mundo) e a voz de Deus. Bem como todo o hélio usado na criação e a fábrica de átomos que o criador, instalou no arredor de sua oficina vital.

 

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