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(IN)EXPLICAÇÃO DO POETA PDF Versão para impressão Enviar por E-mail
Escrito por Administrator   

A expressão é individual, daí o estilo cabralino e drummoniano. Os que se metam a poeta e imitem, glosem, rimem, contem  versos nos dedos, esses não têm “estilo”.

Não são poetas. O estilo VCA é individual e, como tal, específico, inimitado e  inimitante. Próprio, vital.

 

O segredo poético é: não imite ninguém, nem a si mesmo.

Mui antes de Jakobson, o poeta e crítico A.E. Housman disse que “a poesia não é a coisa dita, mas a forma como é dita”. Ou seja, a poesia não é só afetada pelo modo de dizê-la, mas reside na forma como é dita ou escrita.

Se o poema toca só a pele do leitor, a superfície banal ou o ambiente falso em que vive, é invalido totalmente. O poema tem que adentrar a entranha, tocar o leitor no seu latente e obscuro centro humano, atingir sua natureza humana real – e não aparente.

Daí, o valor das coisas como são não ditas e não como são ditas.

A estrutura do livro Estrutura da obra é musical e geométrica, em forma de combate de ideias. Capto uma aresta edênica salpicada de faces de uma geometria oculta ou misteriosa, de teor egípcio.

Voz trêmula como bandeira em pranto

ao vento da capela do verbo estendida.

 

Dançam pântanos, pâmpanos sonham

palavras amáveis ou não (belas ou feias)

não importam ao poema

ritmo de graveto, música de osso

todos os fervores e dissídios

todas as tramoias e as desídias

os mais ardentes ardis e selos falhos

tudo o que alimente em vão

o seu mais vão desejo (da leitora possível)

tudo o que irresigne ou falhe.

Se dou qualquer reino por um hiato

se por um dissílabo morro e mato:

o que farei da metáfora?

O que farei da metáfora

que de se me desgarra

(disse-me um leitor vital)?

 

Então, devo inquirir, questionar

de enérgico modo os propósitos do destino poético.

Por em causa a sina, duvidar da moira

cabalmente. Pois não há dois versos

sem uma sílaba no meio.

 

Como sei que o místico Marsílio

Ficino fascinante mudou o mundo

ao sussurrar seus hinos órficos

não mais me sinto órfão da poesia.

 

Como sei que toda geometria é musical

e azul, além de lenta e macia

continuo o poema.

 

O poema tem também uma estrutura rúnica, daí a pedra da capa.

Como qualquer poema VCA, há uma estruturação telúrica, ctônica, selvagem. E a busca qualitativa da palavra usa um método concreto compilado da natureza, utiliza a aspereza natural da vida inorgânica. Nos poemas se amontoam as palavras em ritmo geológico, estrato a estrato, secção a secção verbal.

E essa direção qualitativa, essa construção aparentemente caótica expressam no todo o sentido do poema (de todo o livro).

Ao ler um qualquer poema absoluto que reflita o humano mais fundo evita-se ser derrotado pelo mundo.

A comunicação poética se dá via  outro poema ou outro,  em que a expressão se complete, e assim o leitor experimente uma sensação de intimidade com a palavra poética, que nada a ver tem com algo prosaico, discursivo, lógico, indicativo de mera compreensão. E a cada nova experiência poética o leitor cada vez mais penetra o âmago da expressão, que independe de conteúdo ou não.

O problema que causa espécie no leitor (de VCA ou de outro poeta absoluto) é que cada poeta dispõe de uma aparato de imagens inatas a ele, como indivíduo, e bem peculiares, por efeito. E esse mundo metafórico ou imagético é pessoal e incompartilhável, com qualquer leitor.

Cada poeta possui um universo estritamente pessoal (e acrítico), no qual ele traz algo do mundo comum e expõe tal ao ácido de sua individualidade irrecusável e especifica, de modo a gerar um verso sem liames com o mundo real e o do leitor.

Cabe ao leitor compor (ou fazer a recomposição do poema lido) palavra e imagem em uma unidade tal que lhe dê mínimo acesso ao poema.

É o campo das imagens de palavras.

De certa forma, o poema é um artefato de magia verbal, que reumaniza o homem. O conteúdo do poema é humano... e sua expressão verbal é complexa, tal qual a natureza humana o é.

Que tal o novo forno, o atanor medíocre, a fogueira dos imbecis (cuja lenha ruim e dura da alma feia custa a queimar), o incêndios das glândulas e peles anoréxicas?

A pira deve ter uma elevação de princípios amontoados a palavras de ordem e aforismo vencidos.

O monte a erguer é prenhe de ideias platônicas, cogituns  catersianos, de santos cristãos, substâncias holandesas de Spinoza, eus de Fichte e espíritos hegelianos atados aos nous de Anaxágoras e a líquidos fluxos de Heráclitos rebanhados dos rios do tempo.

(Resignação fatiga). 20.10.2015

 

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