Murilo Gun

Quem está online

Temos 13 visitantes em linha

Enquete

O que você achou do nosso site ?
 

Assista

Parceiros

Admmauro Gomes

Siga-nos



VERBO E MUNDO PDF Versão para impressão Enviar por E-mail
Escrito por Administrator   

Grito de pedra, unguento

de aço e musgo: como o gozo.

Pedra, grito, muro, uivo

musgo grávido, messe

e unção de sêmen vivo.

 

Hortos frios, além do corpo.

 

Nada há entre poema

e o que poeta tenha a dizer.

 

Entre poesia e querer dizer...

A caverna ou urna platônica

de ideia inacessível e essencial

é o lugar da poesia, sítio

onde poeta beba a verdade

poética maior, voraz, veraz.

Quando você (leitora)

e palavra não se entendem

é que o mundo começa.

Começa a modernidade, o dia real.

Retire, extraia, puxe da forma

das palavras os temas do romance.

As potências das palavras conflagradas

se expõem como fratura

na página de que leitor é náusea.

 

É na lauda - nunca no laudo

que as harmonias do verbo

se tecem e expande a mente.

Harmonias possíveis ou não.

Descrer da poesia é ir a ela.

Na verdade e na realidade

aparentemente vitais reside

o mistério da palavra.

A modernidade é morta.

Daí, vem a seiva que acorda a veia poética.

O sumo que pulsa na página.

 

Pã ainda não morreu, mas

flores e  florestas perecem.

 

Se esse texto não origem

palpável ou não, se

isso não é um romance

se todos os possíveis

estão impassíveis

se Pã se demorou num mito grego

e não é verdade humana

se um rumor branco e grave

arranha o céu da página

página que é do leitor

e conserva sua verdade...

leia mais adiante.

Penetre o romance

Isso não é um romance.

 

Se isso não é um romance...

dê outro nome.

Porque o texto nasceu

inominado e numinoso.

 

Quando homem e palavra

desentendem-se

desse desentendido crucial vem

o verbo na forma que a página receba.

E o que pretendeu o texto

não dizer claramente

é o pensamento do leitor

verdadeiro, solene ou não.

Hermética é a palavra

e o mundo é hiperhermético.

Só leitor é verdadeiro, existe

nesse instante (da

página 22). (A ser).

 

A modernidade é apocalíptica.

Como o poema é a parapocalíptico

na forma e no fundo da palavra.

Como a forma é apocalíptica

na poesia desse romance

que não parece ser.

Romance apocaliptical.

A falência política do homem

sitia, isola, desfavorece e enfraquece a poesia.

A frágil totalidade sofre.

A dispersão enlouquece.

Olhe-se, leitora, a seu redor...

enrede-se na teia severa

de suas circunstâncias e incircunstâncias... e...

leia Rilke. Enrilkeça-se assim.

 

Grandeza e dor.

Esplendor morto.

Deus deserto. Não morto, ainda.

Se tudo é nada, comece dele.

Se Deus não há, não é...

tudo vale nada.

No céu vazio, pulsa lua cúbica.

A modernidade da morte

é séria. Exata...

O moderno são as cinzas.

O pó. A sede. O vão.

Os últimos dados são inexatos.

Como cubos ao quadrado.

 

Soma de nadas o homem.

Noves foras nada o homem vivo

sob céu de pedra vagarosa

lenta rosas a morrer do trânsito.

 

Até quando imprestáveis

cruzes de cinza ergueres

entre as bordas irrespiráveis

e os abismos imprescritíveis

da nova e cinzenta ressurreição.

 

A história disso que

não é romance se repete.

Cristo se crucifica a cada

hino, ano, onde, quando.

 

INFORMA DIGITAL

Revista Urubu

Singular

Papel Jornal

Jornal O Monitor

Textos Agrestes