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PAPEL LEITOR OU POESIA E SENTIMENTO PDF Versão para impressão Enviar por E-mail
Escrito por Administrator   

A página poética (na acepção de algo escrito e irrecitável) exige do leitor certo papel e não outro.

Leitor que não atenda, ao inverso, (o verso, no caso) o princípio vital kantiano que fuzilava: o espírito não é espelho (imóvel), algo passivo que se limite a devolver o mundo – ou coisa, nele refletido. É o espírito (tal como deva ser leitor de poesia absoluta) força ativa que afete, transforme, resolva a própria forma da realidade a ele oferecida por poeta também absoluto. A percepção do leitor poeta nunca é passiva, de segunda mão, acessória, secundária, decorativa, fautor de leitura mecânica do poema. Para tal leitor a poesia absoluta gera poemas tolos infantis ou absurdos meramente.

O que leitor legal recebe, acessa, absorve, em si instaura, percebe, assume, na leitura não relativa do poema, são partes da verdade da realidade ou realidade da verdade do ser.

A linguagem poética (em qualquer tempo ou lugar) deriva dum impulso de formulação ou figuração simbólica, de uma terrivelmente densa concentração da máquina (orgânica) sensorial. Não necessariamente emocional (que soaria como algo externo, adicionado, quando é algo interior, incondicional).

O elemento símbolo na poesia absoluta é vital. Símbolo tal como Cassirer o acepciona: o símbolo não é um aspecto da realidade, é a realidade. Nele, a identificação sujeito (ego) e objeto (não-ego) é total, rigorosa, essencial.

“Ao invés de uma expressão mais ou menos adequada, encontra-se uma relação de identidade e completa congruência, entre a imagem e o objeto, entre o nome e a coisa” (da Filosofia do símbolo, anotação dispersas).

Daí o símbolo na Poesia Absoluta ser, conter, envolver, abranger a unidade forma/conteúdo. Palavra e coisa constituindo uma pura unidade, sem a cisão da compreensão.

Na linguagem prosaica, palavra é palavra e coisa é coisa. Isso porque, não sendo assim, não existiria narração que exige estabilidade de significado. A palavra como substituto, representação.

Em poesia, a palavra não substitue, mas é a coisa. O nome a algo dado pelo poeta é mais forte que esse algo meramente representado, traz um efeito vital de verdade, de ser, é a essência. Mesmo dá, fornece eficácia ao ser da coisa para sê-la. A psicologia poética é algo que vai direto à substância, não tergiversa ou romantiza.

Se a prosa é depósito de significados, a poesia é armazém de arquétipos (armagedônicos), verdadeiros contêineres de simbolizações delirantes.

Se o sapiens é o animal que faz símbolos, o sapiens sapiens é o que faz poema absoluto. O problema reside no fato de não haver culpa por parte de leitor relativo.

A necessidade (ou imperativo absoluto) de sobreviver levou o homem ao capitalismo (selvagem ou não). Para tal, a revoluções. Industriais – e de relações de trabalho. O pressuposto (efeito e causa) foram as revoluções tecnológicas (as 3 ou 4 últimas todas no século XX). O predomínio da ciência (movida a capital, mas ciência) exigiu o desenvolvimento do pensamento lógico rigoroso e discursivo (este como algo primordial). A linguagem científica discursiva é fria e objetiva, ou fria porque objetiva. Quanto mais explícita, menos forma. Mais frigidez sinônimo de radical objetividade.

Só um campo (raro, parco) sobrevive a esse estado ou condição de aridez ou gelidez exagerada e precisão descomunal: o da arte.

O reino da expressão artística torna o homem súdito da verdade do ser, da realidade essencial, não deformada pela alienação à vida espiritual em benefício da existência física (e cômoda ou não).

Fantasias racionais e razões abstratas, verdades ilógicas mas verdadeiras, realidades não lucrativas e máscaras sem valor de troca (ou uso) são possíveis na poesia. E libertam. horizontes, abrem espectros de perspectivas insuspeitados ainda. (Eu, como poeta absoluto, o sei bem).

POESIA E SENTIMENTO

É uma modalidade de ilusão vital à vida humana (e animal). Ilusão real. É um campo onde o reino do ser humano encontra expressão: o da poesia. É o tal do sentimento (essencial à poesia desde... até Bilac...), onde fica?

Cassirer fala no reino do puro sentimento (ou assim traduzido) como o da poesia. No entanto, ele admoesta. “O sentimento puro expresso pela arte não é apenas emoção pessoal do poeta. O poeta lírico, fuzila Cassirer, não é quem se entregue, passiva e completamente, a manifestações de sentimento.

Tal sentimento não interessa a ninguém, a nenhum leitor, só ao poeta relativo.

 

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