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SCHOPENHAUER E A MULHER PDF Versão para impressão Enviar por E-mail
Escrito por Administrator   

Segundo este filósofo, a vontade é uma vontade de viver, ser, reproduzir-se. O verdadeiro inimigo da vontade de viver é a morte.

Mas, pergunta-se: não seria a vontade de viver maior que a da morte? Capaz de derrotar a própria morte viva?

 

Sim, pela estratégia e pelo martírio da reprodução. Esta é o propósito vital do ser, isto é, em todo organismo, é o seu mais poderoso instinto; porque só assim (pela reprodução assexuada ou não) a vontade pode vencer a morte (no âmbito não individual, mas da linhagem).

Por isso, os órgãos reprodutores externos, as genitálias poderosas e os falos descomunais são idolatrados, na história e no mito, entre homens e animais (jegues). Eles (o pênis e a vagina – o sêmen, o óvulo, o útero, o parto – toda essa parafernália) são o sustento da carne e garantidores da vida eterna (da espécie, não do indivíduo, que é acessório).

Os gregos, no Phallus e os hindus, no Lingam, cultuam e oram ao falo, e seu ímpeto de sangue e duração. Seria vital se implantar na identidade (RG) as medidas do pênis (diâmetro e comprimento),  como fonte de informação sexual (às mulheres).

A finalidade da vida seria o acasalamento. Sabe-se que duas forças básicas atuam: a fome-comida e o sexo, comida também. Pelo alimento, garante-se a sobrevivência do individuo, pelo sexo, a da espécie. Ou seja, comendo feijão e mulher.

O raciocínio de Schopenhauer é que demonstramos inferioridade quando nos sacrificamos pela espécie. E a isso somos levados pela vontade sexual. Que é contrária ao indivíduo. Que só favorece a espécie. A força, a incontinência que levam o macho à fêmea, ultrapassando normas éticas e jurídicas, algo movido puramente pelo instinto, quase animalescamente, contrariam a condição verdadeiramente humana, qualidade inerente ao individuo, que, como tal, reage ao ímpeto sexual cego.

O casamento por amor é ilusão. Casa-se por conforto, comodidade, desespero, dinheiro ou movido pela vontade sexual, que é instigada pelo instinto primário, básico, vital de preservar a espécie, acima de tudo. O tal do gozo é bônus.

Por que Deus foi tão espetaculoso, extravagante, exorbitou, se excedeu, ao imaginar e criar o coito, algo tão selvagem, um ser entrando no outro, penetração rodeada de gritos, ais, gemidos, pinotes e piruetas, capaz de quebrar camas, etc? (Ele tinha Suas razões). Para que o indivíduo fosse atraído para longe de si e perto da espécie. Por que nos sacrificamos na vida pelos filhos? Porque eles são o objeto de preservação da espécie. Só. E mais nada. Resulta em esgotamento financeiro e cansaço físico, para o pai. Todo indivíduo perde a atração pelo sexo oposto quando diminui a possibilidade de concepção, quando o ciclo menstrual cessa.

Schopenhauer então coloca: Nenhuma união é tão infeliz quanto o casamento por amor – e precisamente pelo fato de que o objeto do “amor” (o fazer amor) é a perpetuação da espécie, e não o prazer pessoal, incondicional, livre dos homens.

Já que o amor é uma burla (cilada) praticada pela natureza, o casamento é a junção dos corpos para, pelo atrito, conceber outro corpo, a se atritar e mais outro...

O raciocínio contramulher, isto é, contra e pelo fim da operação sexual de reprodução, de Schopenhauer, é meio labiríntico. Ele mescla sua visão radical por inusitada e diferente com o budismo que prega o triunfo da ausência de vontade civil, com o Nirvana, que propõe ao indivíduo alcançar a salvação e a paz pela ausência da vontade.

Só um filósofo poderia ser feliz no casamento, e os filósofos não se casam, dispara Will Durant (casado e bem com Ariel Durant).

A mulher vive só no presente, porque no futuro (logo) será velha. A partir daí, Schopenhauer dispara:

“Essa veneração das mulheres é um produto do cristianismo e do sentimentalismo alemão ; e é, por sua vez , uma das causas do movimento romântico que exalta o sentimento , o instinto e a vontade acima do intelecto .

Os asiáticos não caem nessa e reconhecem francamente e inferioridade da mulher. “Quando as leis deram as mulheres os mesmo direitos dos homens ,também deveriam tê-las dotado de intelectos masculinos “Uma vez mais a Ásia demostra uma honestidade mais refinada do que a nossa em suas instituições matrimoniais; ela aceita como normal e legal o costume da poligamia , que , embora tão amplamente praticado entre nós , é coberto com uma frase a titulo de folha de parreira: “Onde existem monógamos de verdades?” E que absurdo , dar direitos de propriedade às mulheres !

“Todas as mulheres têm , com raras exceções, tendência para a extravagância “ , porque vivem apenas no presente e seu principal esporte ao ar livre é fazer compras. “As mulheres acham que cabe aos homens ganhar dinheiro , e, a elas , gastá-lo”: é esta a concepção que elas têm da divisão do trabalho .”Sou , portanto , de opinião que as mulheres nunca devem ter permissão para gerir seus negócios , devendo estar sempre sob supervisão masculina , seja do pai , do marido , do filho , ou do estado --- como é o caso do Indostão ; e que , em consequência, nunca deverão receber plenos poderes para se desfazerem de qualquer propriedade que não tenha sido adquirida por elas.” Foi provavelmente o luxo e a extravagância das mulheres da corte de Luis XIII que provocou a corrupção generalizada do governo e culminou na Revolução Francesa.

“Quanto menos nos metermos com as mulheres, então melhor . Elas não são nem mesmo um “mal necessário”. A vida é mais segura e tranquila sem elas. Quando os homens reconhecerem a cilada que há na beleza das mulheres , a absurda comédia da reprodução acabará. A evolução da inteligência irá enfraquecer  ou frustrar a vontade de reproduzir-se e, com isso, conseguir finalmente a extinção da raça. Nada poderia formar um desfecho mais belo para a insana tragédia da vontade inquieta – por que deveria a cortina que acaba de baixar sobre a derrota e a morte tornar sempre a subir para uma nova vida, uma nova luta e uma nova derrota? Por quanto tempo seremos atraídos para essa tempestade em um copo d’agua, essa interminável dor que leva apenas a um doloroso fim? Quando teremos a coragem de desafiar cara a cara a vontade – e de dizer-lhe que a beleza da vida é uma mentira e que o maior de todos os benefícios é a morte?”

Em suma, como diria o monsieur de La Palisse: “é esta minha opinião e dela não compartilho”. Com efeito, não concordo com esta crônica. (vca)

 

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