Murilo Gun

Quem está online

Temos 33 visitantes em linha

Enquete

O que você achou do nosso site ?
 

Assista

Parceiros

Admmauro Gomes

Siga-nos



ORAÇÕES DE LOUÇA PDF Versão para impressão Enviar por E-mail
Escrito por Administrator   

à Igreja nova de Francisco

Monges de seda rezam

nos palácios de louça

orações de nácar

a deuses de açucena

espargindo brandos gestos

e preces de marfim

nos ares bentos

da província alta

onde se instale mosteiro bento.

 

Monges de alecrim pedem

dolce vita e reis de hortelã

e seus impérios mascavos

cortados por luas de saliva

avenidas de fraque amaro

e ruas de cartola pura.

Párocos de luz transportam

potes de treva em cavalos líquidos.

 

Cônegos de água nutrem

o barro dos ditirambos.

 

Potros de pedra galopam sobre núpcias

sob auspícios de tempestades de jade.

 

Prelados de fogo tangem

prole da treva para os longes

 

oblíquos da tarde que consome

entre tragos de sangue e tangos argentinos.

 

Presbíteros de azeite benzem

coxas da terra com sêmens latinos.

Do celeiro de laureis ortodoxos diáconos

de platina ungem dádivas ladinas.

 

Potros de sombra e intervalo com rijas crinas carregam

com alguidares de hóstias no dorso rápido.

 

Párocos transportam lustres com que iluminam

os madrigais de alvenaria do púlpito

 

de onde lançam razias de rezas sobre

vítimas pecadoras em lances salvíficos.

 

Cardeais de grito agarram silêncio rubro

de seus paramentos escuros

 

e se organizam em cúrias velozes

para expor suas incúrias ao medo do mundo.

 

Adegas de vinho ímpio ocupam

átrio de sacristias

 

e orgias às escâncaras escorrem

sob naves lúbricas da igreja antiga.

 

 

 

Comentar


Código de segurança
Actualizar

INFORMA DIGITAL

Revista Urubu

Singular

Papel Jornal

Jornal O Monitor

Textos Agrestes